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Notícias de Washington

Em busca dos valores e interesses próprios dos EUA

Thomas R. Nides é o subsecretário de Estado para Administração e Recursos

Apenas seis meses após os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte terem começado a apoiar os esforços do povo líbio para depor um ditador brutal no poder há 40 anos, os diplomatas americanos voltaram a hastear a bandeira dos EUA em nossa embaixada na nova Líbia.

Na Tunísia e no Egito os cidadãos também clamaram por liberdade – uma conquista notável. Mas a luta não para aí. À medida que surgirem essas novas democracias, nossos diplomatas e especialistas em desenvolvimento estarão presentes, dando apoio ao povo enquanto formam governos novos e estáveis; revitalizam e reformam suas economias e criam os alicerces para uma paz duradoura.

Por quê? Não apenas o povo da região se beneficiará enormemente dessa transição democrática como também o povo americano. Um Oriente Médio pacífico, próspero e democrático provavelmente criará oportunidades econômicas para empresas dos EUA e melhorará a segurança nacional para todos os americanos.

Como disse o presidente Barack Obama nas Nações Unidas no mês passado: “Os Estados Unidos continuarão a apoiar as nações que estão fazendo a transição para a democracia – com mais comércio e investimentos, de modo que a liberdade seja seguida por oportunidades.”

Após cada revolução no Oriente Médio, o Departamento de Estado e a USAID intervieram prestando auxílio humanitário, colaborando para o desenvolvimento e a segurança para ajudar as pessoas a preservar suas vitórias duramente conquistadas. Sob a liderança da secretária de Estado, Hillary Clinton, estamos criando e implementando estratégias de mais longo prazo, trabalhando com aliados, parceiros e, especialmente, o povo da região para construir governos democráticos e economias abertas.

Na Líbia, o Departamento de Estado e a USAID estão colaborando com o Conselho Nacional de Transição para promover a governança democrática, estabelecer instituições legítimas e atender às necessidades do povo líbio. Estamos auxiliando esse povo a formar partidos políticos e grupos da sociedade civil vibrantes para impedir a corrupção e incentivar as mudanças políticas.

O Departamento de Estado também está liderando as iniciativas dos EUA para evitar que mísseis disparados do ombro caiam nas mãos de terroristas. Enquanto isso nossas equipes locais ajudam o novo governo da Líbia a recuperar, proteger e destruir as perigosas armas do regime anterior.

Na Tunísia, local onde nasceu o Despertar Árabe, os Estados Unidos estão ajudando os tunisianos a organizar eleições confiáveis e um processo político inclusivo, avançar o Estado de Direito, promover os direitos humanos e incentivar o crescimento econômico igualitário, conduzido pelo setor privado. Hillary Clinton anunciou no mês passado a Parceria Política e Econômica Conjunta EUA-Tunísia – diretrizes para colaborar com o povo da Tunísia e seu novo governo.

Em reconhecimento ao compromisso da Tunísia com a reforma democrática e econômica, na semana passada o país foi selecionado para se candidatar ao programa Corporação Desafio do Milênio. Em 2012, esperamos lançar negociações para um Acordo sobre Transporte Aéreo bilateral, “Céus Abertos”, para abrir rotas aéreas diretas entre a Tunísia e os Estados Unidos e estimular o crescimento econômico nos dois países.

No Egito, Washington movimentou-se rapidamente para prestar ajuda urgente para a transição política atualmente em andamento. Estamos trabalhando com os egípcios para promover uma transição inclusiva e transparente, treinar líderes políticos de todos os partidos e apoiar a sociedade civil. Desde alívio da dívida e garantias de empréstimos a novas políticas para aumentar o comércio e os investimentos, estamos comprometidos em assegurar que o Despertar Árabe seja também um despertar econômico que traga resultados para os egípcios.

À medida que essas mudanças positivas surgem no Oriente Médio, enfrentamos tempos difíceis para a economia aqui em nosso país. Alguns questionam se devemos continuar a prestar ajuda a outros países.

Embora essa seja uma preocupação compreensível no atual clima econômico, cortes significativos nos orçamentos do Departamento de Estado e da USAID causariam prejuízos sérios e de longo prazo para nossa segurança nacional – e nossa economia.

Felizmente, aqui nos Estados Unidos, os líderes dos dois partidos concordam sobre o valor da ajuda humanitária e para a segurança. Neste mês, 78 senadores democratas e republicanos uniram-se para derrotar uma emenda que teria reduzido o atual orçamento do Departamento de Estado e da USAID em 15%, ou US$ 6,9 bilhões.

Cortes dessa magnitude teriam frustrado nosso trabalho no mundo todo – inclusive no Iraque e no Afeganistão. Mas 78 senadores deixam bem claro que a ajuda externa é uma ferramenta importante para avançar os interesses americanos no exterior.

Os orçamentos do Departamento de Estado e da USAID – incluindo desde funcionários a operações e programas – é somente 1% de todo o orçamento federal. Um por cento. Essa parcela minúscula do orçamento federal inclui tudo, desde proteger cidadãos americanos no exterior até combater o extremismo violento e a proliferação nuclear; ajudar empresas dos EUA a se conectar com novos clientes; reverter o HIV/Aids, a malária e a desnutrição infantil; e manter nossas embaixadas. Ela financia tudo que fazemos para tornar o resto do mundo seguro para os americanos viverem, viajarem e realizarem negócios – e tudo que fazemos para manter nosso território seguro.

Não gastamos dinheiro em diplomacia e desenvolvimento apenas para nos sentirmos bem. Combatemos a fome, impedimos a opressão, evitamos pandemias globais e respondemos a crises no exterior porque essa é a forma com melhor custo-benefício para aumentar a segurança nacional – proteger os EUA e os americanos – e criar empregos aqui no nosso país. Isso tem o benefício adicional de também ser a coisa certa a fazer.

Nossos valores nacionais, compasso moral e interesses próprios estão todos perfeitamente alinhados.