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Discurso sobre o Estado da União está profundamente enraizado na história americana
Bridget Hunter
Washington — Quando o presidente Obama se dirigir aos líderes do governo federal dos EUA em 25 de janeiro, ele estará cumprindo uma obrigação constitucional e seguindo uma longa tradição dos presidentes americanos.
A Constituição dos EUA determina que o presidente informe o Congresso “periodicamente” sobre o “Estado da União”. Essa exigência constitucional evoluiu e tornou-se o discurso anual do presidente sobre o Estado da União que agora tem várias finalidades. O discurso relata a situação interna e externa dos Estados Unidos, sugere uma agenda ao Legislativo para o ano que se inicia e concede ao presidente a oportunidade de divulgar pessoalmente sua visão sobre a nação.
Em seu segundo discurso sobre o Estado da União, espera-se que Obama se concentre principalmente em sua agenda interna, mas também resuma as metas de política externa do governo. O sucesso na realização de suas metas dependerá em grande parte da habilidade de Obama de trabalhar com o Congresso e do quanto conseguirá diminuir a divisão partidária entre republicanos e democratas, algo de que o presidente está bem ciente. No 112º Congresso, o controle da Câmara dos Deputados passou para o Partido Republicano, enquanto os democratas continuam a ser maioria no Senado.
Como fez em 2010, o presidente provavelmente continuará a conclamar uma mudança no tom da política dos EUA, uma abordagem bipartidária à governança e foco em servir a população em lugar de fazer avançar as ambições políticas.
HISTÓRIA DO DISCURSO
A tradição do discurso sobre o Estado da União data de 1790, quando George Washington, primeiro presidente do país, apresentou sua “Mensagem Anual” ao Congresso na cidade de Nova York, então capital provisória dos Estados Unidos. Seu sucessor, John Adams, repetiu o feito.
Mas o terceiro presidente da nação, Thomas Jefferson, achava que essas apresentações elaboradas não condiziam com a nova república democrática. Enviou uma mensagem por escrito em vez de aparecer pessoalmente. A influência de Jefferson foi tanta que por mais de um século os presidentes enviaram Mensagens Anuais por escrito ao Congresso.
Nas primeiras décadas da república, a maior parte do conteúdo dessas mensagens representava listas de projetos de lei que o presidente desejava que o Congresso promulgasse – refletindo a tendência geral da época e os problemas práticos inerentes à construção da jovem nação americana. Os discursos tratavam também da conjuntura internacional e do lugar dos EUA no mundo.
Durante a crise que, como nenhuma outra, ameaçou a própria existência da união americana – a Guerra Civil – Abraão Lincoln escreveu talvez a mais eloquente e memorável de todas as mensagens presidenciais enviadas ao Congresso.
“Ao darmos liberdade aos escravos, garantimos liberdade aos que são livres – igualmente honrados naquilo que concedemos e naquilo que preservamos”, escreveu Lincoln em 1862.
Em 1913, Woodrow Wilson restabeleceu a prática de proferir pessoalmente a Mensagem Anual. Foi uma decisão oportuna, porque os Estados Unidos vivenciavam o advento de uma revolução nos meios de comunicação de massa, que logo levaria os presidentes aos lares dos americanos, primeiro por meio do rádio e depois pela televisão.
A partir da eleição de Franklin Delano Roosevelt em 1932, os americanos acostumaram-se a ouvir seus presidentes no rádio, como também vê-los e ouvi-los nos noticiários veiculados nas salas de cinema.
Em 1945, a Mensagem Anual passou a ser conhecida oficialmente como discurso sobre o Estado da União. Tornou-se também o carro-chefe dos programas de rádio e televisão, à medida que as vendas de aparelhos de TV dispararam nos anos 1950. Ao perceber o poder da televisão de levar as palavras do presidente a um grande público, o presidente Lyndon Johnson mudou o tradicional discurso do meio-dia para um horário à noite, para que mais telespectadores pudessem assistir.
A tradição de réplica da oposição ao discurso começou em 1966, quando dois parlamentares republicanos, entre eles o futuro presidente Gerald Ford, apresentaram uma resposta republicana na televisão ao discurso sobre o Estado da União do presidente Johnson.
(Material produzido pelo Bureau de Programas de Informações Internacionais do Departamento de Estado dos EUA. Site http://www.america.gov)