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Notas à Imprensa

Pronunciamento do presidente Obama na Cúpula Empresarial Brasil-Estados Unidos

Brasília, 19 de março de 2011
O presidente Obama fala na Cúpula Empresarial Brasil-Estados Unidos (foto: Antonio Cruz, ABr)

O presidente Obama fala na Cúpula Empresarial Brasil-Estados Unidos (foto: Antonio Cruz, ABr)

CASA BRANCA
Escritório do Secretário de Imprensa

Para divulgação imediata 19 de março de 2011

PRONUNCIAMENTO DO PRESIDENTE
NA CÚPULA EMPRESARIAL BRASIL-ESTADOS-UNIDOS  

Centro de Convenções do Hotel Tryp Brasil 21  

Brasília, Brasil

16h04 - horário de Brasília

PRESIDENTE: Obrigado. (Aplausos.) Boa tarde. Muito obrigado. Por favor, por favor, sentem-se. É uma grande alegria estar aqui no Brasil, e em nome de Michelle e no meu, quero agradecer ao povo de Brasília pela recepção incrivelmente calorosa que nos foi oferecida desde a nossa chegada.

Quero fazer alguns agradecimentos. Antes de tudo, quero agradecer ao Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos pelo extraordinário trabalho que estão fazendo. À Confederação Nacional da Indústria e à Câmara Americana de Comércio para o Brasil agradeço pela excelente organização desta conferência. 

Quero prestar meus agradecimentos a vários membros do meu gabinete que estão aqui: O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, está aqui. Gary Locke, secretário de Comércio; Ron Kirk, nosso representante de Comércio dos EUA -- (aplausos) -- Lisa Jackson, administradora da nossa Agência de Proteção Ambiental (EPA); Fred Hochberg, presidente do Banco de Exportação/Importação; Michael Froman, meu assessor adjunto de Segurança Nacional para Assuntos Econômicos Internacionais. (Aplausos.) E a todas as autoridades do governo do Brasil, obrigado pela hospitalidade.

Só lamento ter perdido a festa por ter chegado algumas semanas depois do Carnaval. (Risos.) Talvez tenha sido melhor -, pois não sei se o nível de produtividade da minha equipe seria o mesmo. (Risos.)

Quero também agradecer a todos os empresários e autoridades governamentais que vieram dos EUA e de todo o Brasil para estar aqui hoje. Após passar a manhã discutindo uma gama de assuntos econômicos com a presidente Rousseff e conversando com alguns executivos brasileiros e americanos, quero falar com vocês hoje sobre como podemos trabalhar juntos para criar novos empregos e novas oportunidades nos dois países.

Nos dois últimos séculos, nunca houve momento de maior promessa para o Brasil. Vocês agora têm a sétima maior economia do mundo e uma das que mais rapidamente cresce. No curso de quase uma década, dez milhões de brasileiros saíram da pobreza. Cerca de metade da população é atualmente considerada de classe média. Em vez de depender da ajuda de outros países, vocês agora estendem a mão para ajudar nações em desenvolvimento. Vocês cultivam grande parte dos alimentos do mundo, fornecem grande parte dos biocombustíveis do mundo e vão sediar dois dos maiores eventos esportivos internacionais do mundo. E como mencionei na coletiva de imprensa conjunta com a presidente Rousseff: ainda estou um pouco sentido pelo fato das Olimpíadas virem para cá em vez de irem para a minha cidade, Chicago. (Risos.) Mas sei que vocês farão um trabalho excepcional.

Portanto, o que foi realizado aqui no Brasil não é simplesmente  extraordinário. Frequentemente se diz que o Brasil é o país do futuro. Bem, esse futuro agora chegou. E, apesar das incertezas dos últimos dois anos, o Brasil ingressou no cenário mundial como importante potência financeira e econômica.

Vocês não chegaram neste ponto simplesmente por acaso ou por sorte. O sucesso de vocês chegou graças ao trabalho árduo e à perseverança do povo brasileiro, ao espírito empreendedor de muitos nesta sala e à visão de líderes como os presidentes Cardoso e Lula. O que esses líderes realizaram, e o que a presidente Rousseff entende, é que o caminho mais seguro para a prosperidade no Brasil envolve um povo livre e mercados livres.

Em uma região do mundo onde o legado do colonialismo ainda é recente, houve uma preocupação legítima no último século de que abrir a economia para mais comércio levaria os países mais ricos a extrair os seus recursos sem levar em conta o desenvolvimento da nação. Eu entendo isso. Ao mesmo tempo, muitas nações latino-americanas, inclusive esta, passaram por décadas de ditaduras em que as economias fechadas não conseguiram produzir padrões de vida decentes para a grande maioria da população.

Mas, na última década, o Brasil mostrou ao mundo que há um outro caminho. Vocês mostraram que a participação na economia global pode levar à disseminação de oportunidades em casa. Vocês mostraram que o espírito do capitalismo pode florescer junto com o espírito de justiça social. Vocês mostraram que a democracia ainda é o melhor caminho para o progresso econômico, pois quando os governos prestam contas ao povo, maior é a probabilidade de prosperidade para todos.

Nos Estados Unidos da América, sempre acreditamos nisso. Assim como vocês, eliminamos o jugo do colonialismo e estabelecemos nossa independência no Novo Mundo. Nós também somos uma imensa nação de imigrantes de origens e culturas diferentes que encontra força na nossa diversidade, força e unidade em nosso orgulho nacional. E como as duas maiores democracias e economias do Continente Americano, compartilhamos a crença de que todos os seres humanos merecem a chance de moldar seu próprio destino e aproveitar o potencial que lhe foi dado por Deus.

Por todas essas razões, os Estados Unidos apoiam a ascensão do Brasil como potência global. É por isso que trabalhamos para fortalecer o G-20 - onde o Brasil tem lugar proeminente à mesa - para ser o principal fórum de cooperação econômica internacional. É por isso que apoiamos um papel mais expressivo para o Brasil em várias instituições internacionais, como o FMI e o Banco Mundial. E é por isso que o Brasil é minha primeira escala nesta viagem para a América do Sul -, porque buscamos uma parceria mais profunda com o seu governo e uma amizade mais estreita com o seu povo. Acreditamos que o fortalecimento dos nossos vínculos econômicos criarão novos empregos e novas oportunidades para nossas duas nações.

Quando os Estados Unidos olham para o Brasil, vemos a oportunidade de vender mais produtos e serviços a um mercado de cerca de 200 milhões de consumidores que cresce rapidamente. E, para nós, essa é uma estratégia de criação de empregos. Quando nossas empresas vendem mais produtos para o exterior, isso sustenta os trabalhadores que fabricam e vendem esses produtos. E creio que a maioria dos empresários americanos que está aqui entende isso. Para cada US$ 1 bilhão de produtos americanos exportados, vemos 5 mil empregos nos EUA.

Nossas exportações para o Brasil já mais que dobraram nos últimos cinco anos - um crescimento duas vezes mais rápido do que todo o conjunto das nossas exportações e mais rápido do que nossas exportações para a China. Nós atualmente vendemos US$ 50 bilhões em produtos e serviços para o Brasil, e essas vendas sustentam mais de 250 mil empregos nos Estados Unidos.

Por exemplo, depois que uma pequena empresa da Carolina do Norte participou de um fórum em São Paulo no ano passado, acabou fechando um negócio de produção que vende peças de automóvel para o Brasil e levou à contratação de novos trabalhadores nos Estados Unidos. A Capstone Turbine, da Califórnia, vendeu recentemente equipamentos de energia de alta tecnologia no valor de US$ 2 milhões que sustentará empregos nos Estados Unidos e atenderá a milhões de brasileiros nos próximos anos. E o governo brasileiro comprou recentemente helicópteros que sustentarão empregos no setor industrial dos EUA, da Pensilvânia ao Alabama.

Essas exportações não significam apenas empregos para os Estados Unidos; elas significam mais serviços e mais escolhas para o povo do Brasil. De serviços de telecomunicação e informação à maquinário e tecnologia de energia limpa, as empresas americanas estão contribuindo para o crescimento econômico que está elevando o padrão de vida de brasileiros em toda a parte. E nossas empresas não só contribuem com exportações para o Brasil, mas também com bilhões de dólares em investimentos diretos que sustentam empregos e empresas nos dois países.

É claro que nossas relações econômicas não são uma via de mão única de exportações e investimentos dos EUA. Os Estados Unidos são o segundo maior mercado para as exportações brasileiras, sustentado dezenas de milhares de empregos e empresas neste país. Na última década, as empresas brasileiras investiram bilhões de dólares em indústrias americanas, que vão do aço à tecnologia da informação - projetos que criarão milhares de empregos nos Estados Unidos. No final de 2008, subsidiárias de firmas brasileiras nos EUA empregaram mais de 42 mil trabalhadores americanos.

Portanto, não há dúvida de que os Estados Unidos e o Brasil se beneficiam com os vínculos econômicos que desenvolvemos ao longo dos anos. Também não há dúvida de que o fortalecimento desses vínculos será benéfico para as duas nações. E, quero mencionar quatro áreas nas quais, acredito, podemos fazer isso.

Em primeiro lugar, tenho o prazer de anunciar que a presidente Rousseff e eu concluímos um Acordo para um novo Diálogo Econômico e Financeiro. Chegou a hora de os Estados Unidos tratarem de nossas relações econômicas com o Brasil com a mesma seriedade com que lidamos com a China e com a Índia, e esse diálogo nos ajudará nesse intuito - (aplausos.) Esse diálogo nos ajudará a atingir esse objetivo promovendo a cooperação econômica, reduzindo o número de regulamentos e aumentando a cooperação internacional não só no âmbito do G-20, mas também em outros fóruns.

Também concluímos um acordo de cooperação comercial e econômica que nos ajudará a expandir o comércio e os investimentos que geram empregos em ambos os nossos países. Esse acordo também fomentará um maior diálogo sobre como destruir as barreiras que ainda existem entre nossas duas nações. Como o Banco Mundial observou, ainda existem muitos obstáculos para se fazer negócios no Brasil. E eu sei que o Brasil tem problemas com determinadas políticas dos Estados Unidos. Mas também sei que nenhum outro país ganhará mais do que o Brasil com a expansão do comércio e a abertura de mercados. Queremos ajudar vocês a superar todo e qualquer desafio que impeça a consecução desse objetivo.

Em segundo lugar, queremos formar parcerias com o Brasil na área energética, razão pela qual a presidente Rousseff e eu concordamos em lançar um Diálogo Estratégico sobre Energia. De acordo com algumas estimativas, o petróleo descoberto recentemente nas costas brasileiras pode equivaler ao dobro das reservas americanas. Queremos trabalhar junto com vocês. Queremos oferecer tecnologia e apoio para explorar essas reservas de petróleo de forma segura e, quando chegar a hora de vender, queremos ser um de seus melhores clientes. Em uma época em que somos lembrados de como a instabilidade em outras partes do mundo pode facilmente afetar o preço do petróleo, os Estados Unidos não poderiam ficar mais animados com o potencial de uma nova fonte estável de energia.

Agora, ainda que o nosso foco no petróleo seja no curto prazo, não podemos ignorar que a única solução a longo prazo para a dependência mundial dos combustíveis fósseis é a tecnologia de energia limpa. É por essa razão que os Estados Unidos e o Brasil buscam aprofundar a cooperação na área de biocombustíveis - (aplausos) - e o motivo pelo qual estamos lançando uma Parceria de Economia Verde entre o Brasil e os EUA. Tudo isso porque sabemos que o desenvolvimento de energia limpa é uma das melhores formas de criar novos empregos e indústrias em nossos dois países.

Mais da metade dos veículos brasileiros já usam biocombustíveis. Cerca de 80% da eletricidade no Brasil vem da energia hidroelétrica. Nos Estados Unidos, saímos na frente com o setor de energia limpa e em breve teremos a capacidade de produzir 40% das baterias avançadas do mundo. Se pudermos começar a compartilhar essas novas tecnologias e alavancar o investimento privado de empresas como as que se encontram aqui presentes, poderemos ter crescimento econômico e um meio ambiente limpo com a produção, utilização, comercialização e venda de produtos de energia limpa no mundo todo. Isso significa um ganho para ambas as nações.

Em terceiro lugar, podemos colaborar na área educacional. Ao conversar durante o almoço com a presidente Rousseff, concordamos que uma economia baseada no conhecimento será fundamental para o crescimento e a prosperidade. Isso significa uma força de trabalho capacitada e instruída. Quanto mais os nossos jovens, quanto mais os nossos estudantes, quanto mais os nossos trabalhadores conhecerem novas culturas e novas ideias, mais capazes se sentirão - para competir em escala global. É por essa razão que estou muito satisfeito com o fato de as lideranças empresariais brasileiras e americanas terem expressado interesse em aumentar o intercâmbio de estudantes entre nossas nações - porque quando investimos em nosso povo, investimos em nosso futuro. (Aplausos.)

Por último, podemos trabalhar juntos na área de infraestrutura. Em 2014, a Copa do Mundo será no Brasil, a única nação que já foi cinco vezes campeã mundial - embora, e você têm de admitir, os EUA estejam melhorando. (Risos.) Estamos cada vez melhores. (Risos.) Como já mencionei, o Rio sediará os Jogos Olímpicos em 2016. Mas embora tenhamos perdido uma competição acirrada, os Estados Unidos não querem só assistir da arquibancada. Calcula-se que o Brasil vá investir mais de US$ 200 bilhões nos preparativos para esses dois eventos. À medida que vocês buscam empresas para projetar e construir novas estradas, pontes e estádios, as empresas americanas estão prontas para participar desse desafio - em todas as áreas, da engenharia à produção e à construção. Queremos ver o sucesso desses jogos e desta nação.

Assim, esses são apenas alguns dos passos que podem ser dados para fortalecer os laços que unem nossos dois países - laços que encerram a promessa de maior prosperidade e maiores oportunidades em igual medida para americanos e brasileiros. Ainda assim, independentemente de quantos acordos e convênios venhamos a assinar, o verdadeiro potencial da nossa parceria somente será atingido se construirmos relações entre nossos povos - entre lideranças empresariais, empreendedores, cientistas, engenheiros, professores, estudantes e mais de um milhão de cidadãos que viajam para os EUA e para o Brasil a cada ano.

Como todos os amigos, podemos não concordar em tudo. Nem sempre também seguiremos o mesmo caminho. Mas, à medida que as duas maiores democracias do Novo Mundo iniciam a segunda década do novo século, não vamos nos esquecer de tudo o que partilhamos.

Nos Estados Unidos, acreditamos no que é conhecido como o sonho americano - a ideia de que não importa quem você é, ou de onde vem, ou como começou, você pode superar os maiores obstáculos e realizar todas as esperanças. Eu sou a prova desse sonho. Eu acredito que esse sonho esteja igualmente presente nesta parte da América. Eu posso vê-lo no espírito empreendedor dos homens e das mulheres aqui presentes. Eu pude ver nas comemorações dos cariocas ao saber que o Rio seria o palco das competições mundiais. Eu posso vê-lo presente em grande parte da história do Brasil.

Brasília é uma cidade jovem - completará 51 anos no próximo mês. Mas ela começou como um sonho há mais de um século. Em 1883, Dom Bosco, o santo padroeiro de Brasília, teve a visão de que a capital de uma grande nação seria construída um dia entre os paralelos 15 e 20. Ela seria um modelo para o futuro e asseguraria que a oportunidade seria direito inato de todo brasileiro.

Atualmente, esta cidade e este país são realmente um modelo para o futuro, mostrando ao mundo que a democracia é ainda a melhor parceira do progresso humano. Como amigos e vizinhos que viveram a mesma história, estamos ansiosos para partilhar do futuro de vocês e realizar juntos o nosso sonho americano.

Muito obrigado. Obrigado.

FIM 16h21 horário de Brasília