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Programas de tecnologia para os pobres procuram beneficiários
22 de fevereiro de 2011, Andrzej Zwaniecki - Da equipe de redação
O moedor de pimenta ajuda uma mulher na Etiópia a trabalhar mais rápido e reduzir queimaduras e desconfortos
Washington — Durante seus serviços como funcionários da ONU, Ewa Wojkowska e Toshihiro Nakamura descobriram que muitas tecnologias que poderiam ajudar os pobres do mundo não encontravam o caminho para chegar àqueles que necessitavam delas, e os que necessitavam delas geralmente não sabiam da existência das tecnologias. Wojkowska e Nakamura iniciaram o TheKopernik.org, serviço na internet que põe em contato usuários no mundo em desenvolvimento com fornecedores de aparelhos projetados para eles. Segundo Wojkowska, o site Kopernik ficou sobrecarregado pela quantidade de respostas das comunidades que buscam soluções de baixa tecnologia para seus problemas.
Mas, segundo os especialistas, iniciativas como o Kopernik aliviam, mas não eliminam o problema da disseminação de baixa tecnologia no mundo em desenvolvimento. Métodos eficientes são necessários para o fornecimento direto de produtos aos destinatários que vivem em áreas sem eletricidade, água tratada ou estradas. Esses métodos dependem da tecnologia, do seu uso e das condições de mercado locais, segundo Jenny Aker, professora de Economia da Universidade Tufts. Certas tecnologias, por exemplo, de assistência médica, podem exigir alguma forma de apoio ou aprovação do governo; outras podem se valer em grande parte das forças do mercado, acrescentou.
Muitos aparelhos úteis para os pobres foram vendidos ou doados por meio de entidades beneficentes, agências oficiais de ajuda ou governos de países em desenvolvimento. Uma encomenda do governo pode fazer enorme diferença na vida de uma empresa iniciante. Por exemplo, a venda dos óculos auto-ajustáveis Joshua Silver teve enorme impulso quando o Departamento de Defesa dos EUA encomendou 20 mil peças para distribuição na África e na Europa Oriental.
Mas Marc Epstein, professor de Administração da Universidade Rice, disse que, na maior parte, nem governos nem organizações de ajuda têm sido eficazes na distribuição de produtos às pessoas que realmente deles necessitam. Constatou-se que transpor a burocracia do governo geralmente é muito demorado para designers de aparelhos simples, de baixo custo, e que atender às exigências governamentais é muito caro. No que diz respeito a fundos beneficentes, o nível de doações tem altos e baixos, geralmente deixando os fornecedores de tecnologia no limbo. Então, a nova geração de inventores opta cada vez mais por distribuição com base no mercado.
Vários empreendedores descobriram que as organizações não governamentais (ONGs) locais fazem parcerias úteis para realizar testes ou programas-piloto em países-alvo. Por exemplo, projetos de próteses para recuperação de movimentos, que fornecem prótese de joelho barata, não conseguiriam chegar aos amputados na Índia sem a parceria de uma ONG indiana — a Jaipur Foot Organization BMVSS —, segundo o co-fundador americano do empreendimento, Joel Sadler.
"Eles conhecem o país e os pacientes e servem de ponte entre nós e a cultura", explicou.
Mas uma vez concluídos os testes, ele e outros planejam comercializar seus empreendimentos de uma forma ou de outra.
Um modelo que vise exclusivamente ao lucro nem sempre é adequado ao contexto social de países em desenvolvimento, segundo Emily Cieri, diretora-gerente de programas de desenvolvimento empresarial da Escola de Administração de Empresas Warthon da Universidade da Pensilvânia. Mas uma empresa sem fins lucrativos com os aspectos básicos de um empreendimento comercial tem as vantagens das duas, disse ela. A estrutura de negócios garante eficiência do empreendimento na busca de impactos sociais, afirmou. Segundo Amit Chug, que dirige a Cosmos Innovations na Índia como empreendimento com fins lucrativos, o sucesso comercial de uma lâmpada solar multifuncional que desenvolveu com parceiros americanos — 150 mil vendidas desde 2006 — permitiu que ele expandisse a linha de produto.
"Mas, desde o início, você tem de entender que não vai ser milionário", disse Chug.
No entanto, a maioria dos inventores não querem apenas fornecer pequenos utensílios úteis para comunidades pobres. Eles dizem que querem oferecer oportunidades de emprego local, bem como de empreendimento. Samuel Hammer disse que o empreendimento para vender moedores de pimenta que ele desenvolveu com seu parceiro Scott Sadlon será estruturado de forma a permitir que todos na cadeia de suprimentos — do fabricante ao consumidor final — gerem renda. Outros jovens inventores têm conceitos semelhantes.
As tecnologias por si só podem fornecer uma plataforma para o microempreendimento, segundo Roger Salway, diretor-executivo da Compatible Technology International, grupo sem fins lucrativos. Por exemplo, o uso de um moinho ajustável para diferentes grãos, desenhado pela sua organização para a África Ocidental não apenas diminui o tempo de moagem de oito a dez horas para menos de uma hora, mas também permite que as mulheres eduquem seu filhos, cuidem da saúde da família ou ganhem uma renda extra com a farinha adicional que produzem", disse ele.
Além disso, o microempreendimento é uma solução para o problema de preço, segundo Joseph Nganga, empreendedor no Quênia. Embora os instrumentos mais simples para cuidados de saúde, energia e outras finalidades custem menos de US$ 20, são muito caros para os que vivem com US$ 1 ou US$ 2 por dia. A empresa de Nganga — Solanterns — que vende lanternas solares como substitutas para as perigosas lâmpadas a querosene, capacita os desempregados e os ajuda a obter microfinanciamentos para que possam alugar lanternas para os vizinhos por uma pequena quantia.
"Não apenas podemos fornecer energia limpa às moradias rurais e empregos aos jovens, mas podemos fazê-lo sem doações ou subsídios", continuou.