Notas à Imprensa
Declaração do presidente Barack Obama sobre a morte de Osama bin Laden
O presidente Obama anuncia a morte de Osama bin Laden
"Vocês não verão mais bin Laden andando por este planeta,” disse o presidente Obama durante entrevista a CBS. Para saber mais sobre porque o presidente Obama decidiu não divulgar as fotos do corpo morte de Osama Bin Laden. Visite o endereço:
A Casa Branca
Escritório do Secretário de Imprensa
Para divulgação imediata
23h36 - Horário de verão da Costa Leste dos EUA,
Domingo, 1º de maio de 2011
PRESIDENTE OBAMA: Boa noite. Esta noite posso informar ao povo americano e ao mundo que os Estados Unidos realizaram uma operação que matou Osama bin Laden, líder da Al Qaeda e terrorista responsável pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças inocentes.
Há quase 10 anos, um lindo dia de setembro foi obscurecido pelo pior ataque ao povo americano na nossa história. As imagens do 11 de Setembro estão marcadas em nossa memória nacional - aviões sequestrados cruzando o céu limpo de setembro, as Torres Gêmeas desabando, A fumaça negra subindo do Pentágono, os destroços do voo 93 em Shanksville, Pensilvânia, em que as ações de heróicos cidadãos impediram mais tristeza e destruição.
E, ainda assim, sabemos que as piores imagens são aquelas invisíveis aos olhos do mundo- o lugar vazio na mesa de jantar, crianças que tiveram de crescer sem sua mãe ou seu pai, pais que nunca viriam a sentir o abraço de seu filho. Quase 3 mil cidadãos tirados de nós, deixando um vazio em nosso coração.
No dia 11 de Setembro de 2001, em nosso momento de sofrimento, o povo americano se uniu. Oferecemos a mão a nossos vizinhos e oferecemos nosso sangue aos feridos. Reafirmamos nossos laços uns com os outros e nosso amor à comunidade e ao país. Naquele dia, não importa de onde éramos, para qual Deus orávamos, a que raça ou etnia pertencíamos, nos unimos como uma única família americana.
Também nos unimos em nossa decisão de proteger nossa nação e levar à justiça aqueles que cometeram esse cruel atentado. Soubemos rapidamente que os atentados de 11 de Setembro haviam sido realizados pela Al Qaeda, organização chefiada por Osama bin Laden, que havia declarado abertamente estar em guerra contra os Estados Unidos e empenhado em matar inocentes em nosso país e no mundo todo. Assim, fomos à guerra contra a Al Qaeda para proteger nossos cidadãos, nossos amigos e aliados.
Durante os últimos 10 anos, graças ao incansável e heróico trabalho de nossos militares e de nossos profissionais de combate ao terrorismo, fizemos grandes avanços nesse sentido. Impedimos atentados terroristas e reforçamos nossa defesa interna. No Afeganistão, derrubamos o governo Taleban que havia dado a Bin Laden e à Al Qaeda abrigo seguro e apoio. E, no mundo todo, trabalhamos com nossos amigos e aliados para capturar ou matar inúmeros terroristas da Al Qaeda, inclusive vários que participaram da trama do 11 de Setembro.
Ainda assim, Osama bin Laden evitou sua captura e escapou pela fronteira do Afeganistão para o Paquistão. Enquanto isso, a Al Qaeda continuou a operar ao longo da fronteira e por meio de seus partidários no mundo todo.
Por isso, logo após tomar posse, ordenei a Leon Panetta, diretor da CIA, que fizesse do assassinato ou captura de Osama bin Laden prioridade máxima de nossa guerra contra a Al Qaeda, embora continuássemos com nossos esforços mais amplos de desbaratar, desmantelar e derrotar sua rede.
Então, em agosto do ano passado, após anos de trabalho meticuloso de nossa comunidade de inteligência, fui informado sobre uma possível pista de Osama bin Laden. Não havia garantias, e passamos muitos meses seguindo essa pista até obter uma confirmação. Tive reuniões seguidas com minha equipe de segurança nacional, à medida que tínhamos mais informações sobre a possibilidade de ter localizado Bin Laden escondido em um complexo no interior do Paquistão. E, finalmente, na semana passada, decidi que tínhamos informações suficientes para entrar em ação e autorizei uma operação para capturar Osama bin Laden e levá-lo à justiça.
Hoje, por minha ordem, os Estados Unidos lançaram um operação direcionada contra esse complexo em Abbottabad, no Paquistão. Uma equipe pequena de americanos realizou a operação com extraordinária coragem e capacidade. Nenhum americano ficou ferido. Eles tomaram cuidado para evitar mortes de civis. Após um tiroteio, mataram Osama bin Laden e se assumiram custódia do seu corpo.
Durante mais de duas décadas, Osama foi o líder e o símbolo da Al Qaeda e continuou a tramar atentados contra nosso país e nossos amigos e aliados. A morte de Osama bin Laden marca a realização mais importante até hoje do esforço de nosso país para derrotar a Al Qaeda.
No entanto, sua morte não significa o fim de nossos esforços. Não há dúvida que a Al Qaeda continuará tentando nos atacar. Devemos -e continuaremos- a ser vigilantes em casa e no exterior.
Ao mesmo tempo, devemos também reafirmar que os Estados Unidos não estão- e nunca estarão- em guerra com o Islã.
Como deixei claro, assim como o presidente Bush o fez logo após o 11/9, nossa guerra não é contra o islamismo. Bin Laden não era um líder muçulmano. Ele era um assassino em massa de muçulmanos. De fato, a Al Qaeda matou inúmeros muçulmanos em muitos países, inclusive no nosso país. Assim, sua morte deve ser comemorada por todos que acreditam na paz e na dignidade humana.
Nos últimos anos, repetidamente deixei claro que adotaríamos uma ação no Paquistão se soubéssemos onde Bin Laden estava. Foi o que fizemos. Mas é importante ressaltar que a cooperação com o Paquistão na área de combate ao terrorismo nos ajudou a chegar até Bin Laden e ao complexo onde ele estava escondido. De fato, Bin Laden também havia declarado guerra contra o Paquistão e ordenado ataques contra o povo paquistanês.
Esta noite, liguei para o presidente Zardari, e minha equipe também falou com seus pares paquistaneses. Eles concordam que este é um dia bom e histórico para as duas nações. E, para o futuro, é essencial que o Paquistão continue conosco na luta contra a Al Qaeda e seus membros.
Essa luta não foi uma escolha do povo americano. Ela chegou às nossas terras e começou com a chacina sem sentido de nossos cidadãos. Após quase 10 anos de serviços, lutas e sacrifícios, conhecemos bem os custos da guerra. Esses esforços pesam sobre mim cada vez que eu, como comandante das forças armadas, tenho que assinar uma carta para uma família que perdeu um ente querido, ou olhar nos olhos de um soldado que foi gravemente ferido.
Portanto, os americanos conhecem os custos da guerra. Contudo, como país, jamais toleraremos que nossa segurança seja ameaçada, tampouco ficaremos de braços cruzados quando matarem nossos cidadãos. Seremos incansáveis na defesa de nossos cidadãos, amigos e aliados. Honraremos os valores que fazem de nós quem somos. E em noites como esta, podemos dizer às famílias que perderam entes queridos para o terrorismo da Al Qaeda: a justiça foi feita.
Hoje, agradecemos aos inúmeros profissionais de inteligência e contraterrorismo que trabalharam incessantemente para chegar a esse resultado. O povo americano não vê o trabalho que eles fazem nem sabe os seus nomes. Mas nesta noite, os americanos se sentem satisfeitos com o trabalho destes profissionais e com o resultado de sua busca por justiça.
Somos gratos aos homens que executaram essa operação, porque eles exemplificam o profissionalismo, o patriotismo e a coragem sem paralelo daqueles que prestam serviço ao nosso país. E eles fazem parte da geração que arcou com o maior ônus desde aquele dia de setembro.
Por fim, quero dizer às famílias que perderam entes queridos no 11 de Setembro que jamais esquecemos suas perdas, nem fraquejamos em nosso compromisso de fazer tudo que for preciso para evitar outro ataque em nosso solo.
E nesta noite, vamos retomar o espírito de unidade que prevaleceu em 11 de Setembro. Sei que por vezes esse sentimento se deteriorou. Mas a conquista de hoje é uma prova da grandeza do nosso país e da determinação do povo americano.
A tarefa de manter nosso país em segurança não chegou ao fim. Mas esta noite somos mais uma vez lembrados de que os Estados Unidos podem fazer tudo a que se proponham. Esta é a nossa história, seja a busca de prosperidade para o nosso povo ou a luta por igualdade entre todos os cidadãos, seja nosso compromisso de honrar nossos valores no exterior e nossos sacrifícios para fazer do mundo um lugar mais seguro.
Vamos nos lembrar de que podemos fazer essas coisas, não apenas por causa de riqueza ou poder, mas por causa de quem somos: Uma nação, diante de Deus, indivisível, com liberdade e justiça para todos.
Obrigado. Deus os abençõe e abençõe os Estados Unidos da América.