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Notícias de Washington

Ativistas on-line recebem suporte técnico e treinamento dos EUA

Por Stephen Kaufman | Redator | 20 Junho de 2011
O Departamento de Estado mudou muito do seu foco para a tecnologia do telefone celular devido ao uso intenso de celulares e mensagens de texto no mundo inteiro.

O Departamento de Estado mudou muito do seu foco para a tecnologia do telefone celular devido ao uso intenso de celulares e mensagens de texto no mundo inteiro.

Washington — No final de 2011, o gasto total dos Estados Unidos nos últimos anos para promover a liberdade na internet em todo o mundo chegará a US$ 70 milhões.

Esse valor incluiu investimentos em tecnologias para ajudar as pessoas a contornar mecanismos de proteção (firewalls) rigorosos. Também incluiu treinamento de ativistas em novos programas e ajuda para que entendam os riscos on-line a que estão sujeitos.

“As pessoas estão exercendo seus direitos humanos on-line, e estamos mais conscientes das várias formas de utilização da tecnologia por governos repressores para limitar e punir as pessoas pelo exercício desses direitos”, comentou um alto funcionário do Departamento de Estado, que pediu para não ser identificado.

Em conversa com jornalistas em 15 de junho em Washington, essa autoridade afirmou que a liberdade na internet é prioridade do governo Obama. Segundo ele, os princípios dos direitos humanos universais protegem a liberdade de reunião, a dissidência pacífica e a possibilidade de falar o que se pensa, e todos os países são obrigados a respeitá-los.

“Desconfio que há governos que prefeririam que não estivéssemos fazendo esse tipo de investimento”, sublinhou. Mas os governos que respeitam os direitos dos seus cidadãos “não têm nada a temer da liberdade de expressão” ou de uma internet livre, enfatizou a autoridade.

Ao mesmo tempo, aqueles que trabalham para minar a liberdade na internet por meio de táticas como o uso de mecanismos de proteção, censura e fechamento de redes estão perdendo a batalha.

“O advento dessas modernas tecnologias de comunicação significa que nada mais pode ser jogado para debaixo do tapete. (...) E isso é algo que os governos estão sendo obrigados a considerar”, continuou o alto funcionário.

O Departamento de Estado apoia mais de 12 diferentes tipos de tecnologia para ajudar as pessoas a driblar mecanismos de proteção e tem usado o que esse alto funcionário descreveu como um serviço de “tecnólogos sem fronteiras” para desenvolver novos programas e “responder aos desafios atuais de pessoas que procuram chamar a atenção para os problemas de suas sociedades e dar voz ao seu próprio futuro”.

“Uma das nossas tarefas é ter em mente um quadro mais abrangente, manter o foco nas pessoas, dar resposta a elas in loco e ficar à frente da curva em termos das inovações da repressão, de forma que possamos ao mesmo tempo ajudar as pessoas localmente a expressar-se de modo inovador”, sublinhou a autoridade.

Graças aos recursos foi possível capacitar mais de 5 mil ativistas digitais, ativistas pró-democracia e defensores dos direitos humanos em todo o mundo, que agora distribuem a tecnologia e o know-how que aprenderam com seus pares.

Ainda de acordo com o alto funcionário, o treinamento também os ajuda a “entender exatamente quais os riscos envolvidos e quais riscos podem ser enfrentados”, inclusive a identificação de vírus e de software keylogger, que grava tudo que é digitado.

A iniciativa do Departamento de Estado mudou muito do seu foco para a tecnologia do telefone celular, devido à disseminação extremamente elevada dos celulares e das mensagens de texto em todo o mundo, em comparação com a relativa falta de disponibilidade dos serviços de internet. Mas, segundo a autoridade, muitos não têm consciência dos riscos que correm ao enviarem textos.

“Há o mito de que é seguro enviar [uma mensagem de texto] e de que ninguém pode rastrear você, ao contrário do e-mail, que pode ser monitorado. Mas isso não é verdade”, explicou a autoridade.

“Entre as coisas que estamos financiando estão as comunicações móveis para torná-las seguras e para que as pessoas possam enviar mensagens de texto com segurança ou possam fazer outras coisas, porque (…) elas não estão sentadas diante de seus computadores. Mas elas também não dispõem necessariamente de informações adequadas para usar essas ferramentas de forma segura.”

Na opinião da autoridade, quando as pessoas podem se expressar livremente, elas tendem a discutir o tipo de sociedade que desejam e a forma como gostariam que seu país fosse governado.

“Nosso objetivo é assegurar que fazemos o possível para amplificar as vozes e criar o espaço de livre expressão e liberdade de reunião e associação on-line, não importa qual seja o grupo”, concluiu o alto funcionário.