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Hillary Clinton lança nova parceria de combate ao terrorismo
Stephen Kaufman | Da equipe de redação | 22 de setembro de 2011
Em 9 de setembro, Hillary disse que o novo fórum ajudará a apoiar os países na elaboração de nova legislação, aperfeiçoamento do Estado de Direito e capacitação de autoridades para melhor combater o terrorismo
Washington — Com o objetivo de evitar o surgimento de mais vítimas do terrorismo, a secretária de Estado Hillary Rodham Clinton juntou-se a ministros das Relações Exteriores de 30 países para o lançamento do Fórum Global de Contraterrorismo, destinado a fornecer um ponto de encontro para os países colaborarem no fortalecimento das capacidades de governos, grupos da sociedade civil e outros com a finalidade de evitar e enfrentar ameaças terroristas.
A secretária reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores turco, Ahmed Davutoğlu, no hotel Waldorf-Astoria, em Nova York, em 22 de setembro. Ela disse que com os avanços em tecnologia, comunicações e viagens, o ataque a civis inocentes pelo terrorismo tornou-se uma ameaça para as pessoas no mundo todo.
“Nenhum país pode se permitir permanecer à margem em face dessa ameaça, e nenhum país pode se dar ao luxo de enfrentar isso sozinho”, afirmou Hillary Clinton.
Os países que estão lançando o fórum concordam que a comunidade internacional precisa de “um local de encontro global para reunir com regularidade legisladores e especialistas mundiais em contraterrorismo — um lugar para identificar prioridades básicas, encontrar soluções e traçar um caminho para sua implementação”, continuou ela.
Cada país tem seus conhecimentos especializados para contribuir com o fórum, afirmou a secretária. Embora as circunstâncias variem de lugar para lugar, os países podem aprender muito uns com os outros.
“Nosso trabalho aqui tem potencial para causar duplo impacto: melhorar a coordenação dos esforços de combate ao terrorismo nas fronteiras e entre regiões, bem como ajudar os países a enfrentar ameaças terroristas dentro de suas próprias fronteiras”, acrescentou.
O fórum pode ajudar os Estados da linha de frente, que enfrentam as ameaças terroristas mais graves, a desenvolver sistemas de justiça com base no Estado de Direito e respeitar os direitos humanos universais ao mesmo tempo que atuam com eficiência contra o extremismo violento, disse ela.
Pode também aprofundar o entendimento de como as pessoas se tornam radicais e são recrutadas pelas organizações do terror, permitindo que os países impeçam essas iniciativas e neguem apoio a atividades violentas. Segundo Hillary Clinton, o fórum pode ajudar a melhorar a coordenação e construir “novas parcerias de trabalho entre nossos agentes de aplicação da lei, inteligência, alfândega e judiciário que lidam com esses problemas localmente todos os dias”.
O lançamento do fórum “é apenas o começo”, afirmou. Seu sucesso “depende da disposição de todos nós, os membros, de nos apresentar e engajar”.
“Não precisamos de outra sociedade de debate. Precisamos de um catalisador para a ação”, emendou Hillary.
“Ação Real" do Fórum nos grupos de trabalho
Uma autoridade de primeiro escalão do Departamento de Estado, que pediu para não ser identificada, disse aos jornalistas, em 21 de setembro, que o fórum reúne nações doadoras ricas, nações de maioria muçulmana, potências emergentes, como China e Índia, e representantes da América do Sul e da África. A autoridade disse que “a ação real” do fórum será realizada nos seus grupos de trabalho.
Cinco grupos de trabalho foram criados, disse a autoridade. Dois são funcionais — um referente ao setor de justiça criminal e ao Estado de Direito, e o outro referente ao combate ao extremismo violento. Três grupos regionais são dedicados à capacitação no combate ao terrorismo nas regiões africanas do Sahel e do Chifre da África e no Sudeste Asiático.
A autoridade disse que essas são regiões onde já existem redes de colaboração contra o terrorismo e esforços em andamento para fortalecer o Estado de Direito e combater a ideologia extremista.
“São lugares como esses que, acredito, poderão apresentar resultados mais cedo, e queremos ímpeto efetivo a partir dessa organização”, disse a autoridade.
A autoridade acrescentou que os países do Norte da África e do Oriente Médio que estão fazendo a transição das leis de emergência restritivas para maior liberdade são os que serão “beneficiários em particular” do trabalho do fórum, porque as táticas repressivas de antigos regimes “eram, na verdade, impulsionadores da radicalização e contribuíram para os problemas que enfrentamos hoje”.
Disse ainda que o governo Obama deve anunciar a destinação de US$ 75 milhões a US$ 100 milhões para os países que trabalham para fortalecer o Estado de Direito.
Os recursos ajudarão a garantir que “sua polícia seja adequadamente capacitada para lidar com o contraterrorismo (...) seus promotores saibam como instaurar processos contra terroristas (...) seus juízes possam lidar com casos de terrorismo (...) seus legisladores possam elaborar as leis necessárias para enfrentar esses casos no seu sistema judiciário”. Os recursos também financiarão programas de reabilitação e melhorarão as prisões para que antigos presidiários fiquem separados das organizações extremistas.
Além disso, afirmou a autoridade, o fórum pretende estabelecer um Centro Global de Excelência para Combater o Extremismo Violento que propiciará aos países “ o treinamento de que necessitam para elaborar internamente seus próprios programas e configurar suas próprias políticas, para que, ao combater o terrorismo, eles não estejam criando mais extremistas ao longo do caminho”.
O centro sediado em Abu Dhabi capacitará líderes comunitários e organizações não governamentais, bem como funcionários do governo. Segundo a autoridade, a expectativa é de que o centro abra suas portas em 2012.