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Notícias de Washington

Acordo sobre combustível de Bushehr mostra que não há necessidade do enriquecimento iraniano

Stephen Kaufman | Da equipe de redação | 12 de setembro de 2011
O reator nuclear de Bushehr no Irã (AP Images)

Com a inauguração das instalações de Bushehr, o Irã é agora o único país com um reator em operação que não ratificou a Convenção sobre Segurança Nuclear da AIEA

Washington — O governo Obama comentou a inauguração oficial do reator nuclear de Bushehr, no Irã, dizendo que o acordo pelo qual a Rússia fornecerá urânio para essa instalação, e também retirará o combustível usado, “ressalta o argumento de que o Irã não precisa de suas próprias instalações de enriquecimento”.

Falando a jornalistas em Washington em 12 de setembro, a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, disse que o acordo com a Rússia mostra que o Irã “pode receber combustível da comunidade internacional” para acionar seu programa nuclear civil.

Representantes de França, Reino Unido, Alemanha, Rússia, China e Estados Unidos — conhecidos coletivamente como P5+1 — tentaram várias vezes engajar o Irã em suas atividades nucleares dadas as preocupações de que seu programa que se diz para fins civis está sendo usado como disfarce de um programa de armas nucleares.

Em outubro de 2009, o P5+1 propôs ao Irã um acordo em que forneceria combustível de urânio enriquecido ao Reator de Pesquisas de Teerã e exigiria que o enriquecimento fosse feito em outro país para garantir que o urânio não seria enriquecido a um nível que pudesse ser usado para armas nucleares.

O Irã acabou rejeitando a oferta e, desde então, tem declarado que está enriquecendo seu próprio suprimento de combustível de urânio.

Em comentários feitos com o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, em outubro de 2009, a secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, disse que o Irã “tem direito a energia nuclear para fins pacíficos, mas (…) não tem direito a armas nucleares”.

De acordo com reportagens da imprensa, autoridades iranianas disseram que a usina nuclear de Bushehr, de mil megawatts, começou a gerar de 350 a 400 megawatts de eletricidade, ou seja, de 35% a 40% da capacidade total do reator, e atingirá sua capacidade plena até o final de 2011.

Victoria Nuland disse que a comunidade internacional espera da Rússia a garantia de que o material nuclear não será desviado da instalação e que retirará o combustível de urânio usado.

A porta-voz também observou que, com a inauguração da usina nuclear, “o Irã é agora o único país do mundo com reator de energia em operação que não ratificou a Convenção sobre Segurança Nuclear”.

“Na esteira do incidente de Fukushima, isso é muito perturbador”, declarou, referindo-se ao acidente nuclear ocorrido em março na usina nuclear de Fukushima Daiichi, no Japão, em que os núcleos do reator superaqueceram e permitiram o vazamento de radiação da usina, forçando a evacuação de pessoas das áreas adjacentes e contaminando suprimentos alimentares.

“De modo mais amplo, a inauguração da usina de Bushehr não altera o fato que o Irã ainda não cumpriu suas obrigações maiores com a comunidade internacional e a Agência Internacional de Energia Atômica de divulgar na sua totalidade suas atividades nucleares”, disse Victoria Nuland.