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Notícias de Washington

Povo sírio “recebeu um tapa na cara” da ONU, diz Susan Rice

Washington — O povo sírio “recebeu um tapa na cara” do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) por sua falha em aprovar uma resolução condenando a contínua violência do governo sírio contra manifestantes pacíficos, disse a representante permanente dos EUA nas Nações Unidas, Susan Rice.

Susan Rice falou em Nova York, em 4 de outubro, depois que a Rússia e a China vetaram uma medida que seria a primeira condenação legalmente obrigatória ao regime de Bashar al-Assad desde que teve início a violenta repressão aos manifestantes pró-democracia, em março. As Nações Unidas estimam que mais de 2.700 pessoas foram mortas pelas forças de segurança do governo desde o início das manifestações.

“Este foi um dia muito triste, em especial para o povo da Síria, mas também para este Conselho de Segurança”, declarou Susan Rice aos jornalistas.

“O povo da Síria, que busca nada mais que a oportunidade de usufruir seus direitos humanos universais e realizar suas aspirações por liberdade, recebeu hoje um tapa na cara de vários membros do Conselho de Segurança”, afirmou ela.

De acordo com o noticiário da imprensa, os Estados Unidos trabalharam com outros países em uma medida para impor um embargo de armas contra a Síria e atingir Assad e alguns membros importantes do governo com o congelamento de seus ativos financeiros e a proibição de viagens.

Após semanas de discussões com outros membros do Conselho, a minuta da resolução que foi apresentada exigia o fim do uso da força contra os civis na Síria, a libertação de presos políticos e a concessão de “liberdades fundamentais“ ao povo sírio. O não cumprimento dessas exigências pelo regime de Assad faria com que o Conselho se reunisse novamente após 30 dias para considerar “outras opções”.

“A opinião dos Estados Unidos era, e continua sendo, a de que este Conselho precisa aprovar uma resolução que contenha sanções reais”, informou Susan Rice. “Apoiamos essa resolução porque achamos que seria um passo, caso fosse aprovada, na direção certa.”

Mas, segundo Susan Rice, o resultado da votação de 9 a 2, com quatro abstenções, mostrou que os esforços bem intencionados para chegar a um acordo sobre a resposta do Conselho não tiveram êxito.

“A resposta hoje, em minha opinião, diz mais sobre as pessoas que foram incapazes de apoiar essa resolução e sobre as que a vetaram”, considerou ela. 

A votação foi uma oportunidade “para indicar quem dentre nós apoia o povo da região em sua busca por um futuro melhor e quem fará o que for necessário para defender ditadores que estão no caminho da guerra”, disse a representante dos EUA. 

Susan Rice afirmou que o governo Obama continuará seus esforços para manter a pressão sobre o regime de Assad. 

“Eles estão do lado errado da história. Não conseguirão o que querem ao continuar reprimindo, matando e prendendo seu povo. Isso não funciona e eles não vencerão, mais cedo ou mais tarde isso ficará evidente”, disse ela. 

EUA “NÃO DESCANSARÃO” ATÉ QUE O CSNU “CUMPRA SUAS RESPONSABILIDADES” seu pronunciamento em 4 de outubro explicando o voto dos EUA sobre a resolução, Susan Rice afirmou que relatórios da ONU, como os do Conselho de Direitos Humanos em Genebra, mostraram que as tentativas do regime de Assad de mascarar a violência cometida contra o povo sírio “são tão transparentes quanto são vazias suas promessas de reforma”.

Segundo Susan Rice, depois das concessões feitas a resolução vetada acabou resultando em “um texto amplamente aguado que nem menciona sanções”. Ela rebateu as acusações de que a resolução seria um pretexto para uma intervenção militar na crise.

“Trata-se de saber se este Conselho, durante um momento de mudanças radicais no Oriente Médio, ficará do lado de manifestantes pacíficos que clamam por liberdade ou do lado de um governo de bandidos armados que esmaga a dignidade humana e os direitos humanos”, declarou.

"Com as coisas do jeito que estão agora, este Conselho sequer enviará monitores de direitos humanos à Síria – uma falha grave que pode acabar com as possibilidades de protesto pacífico diante de um regime que não tem limites”, disse ela. 

Segundo Susan Rice, os sírios e outros povos do Oriente Médio estão observando as ações do Conselho e podem “ver claramente que países escolheram ignorar seus clamores por democracia e, em vez disso, deram apoio a ditadores violentos e cruéis”.

“Essa crise na Síria continuará no Conselho de Segurança, e não descansaremos até que este Conselho cumpra as suas responsabilidades”, concluiu ela.