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Notícias de Washington

Política de samba no país dos cowboys

Luis Filipe Dias

31 de janeiro de 2011  
WASHINGTON,D.C. — Houve um pouco de política de samba no país dos cowboys.

Aprender em primeira mão como o desenvolvimento comunitário é realizado nos Estados Unidos, assim como o planejamento a longo prazo e até como superar a timidez, fez com que Marcos Pereira do Brasil se sentisse bem em casa durante sua estadia na Câmara de Comércio da Grande Cheyenne em Wyoming.

“Eu convivi bem de perto com a comunidade empresarial e percebi a importância de uma Câmara para fazer networking”, disse Pereira durante uma viagem recente a Washington. “Eu sou muito tímido e me expôr a novas situações, de reuniões de juntas a cerimônias de abertura com tapete vermelho para novos empreendimentos me ensinaram o caminho.  Eles me deram as coordenadas; agora eu sigo sozinho”.
 Pereira, analista de política e indústria na Confederação Nacional da Indústria no Brasil, foi um dos seis recipientes do programa L.I.N.K.S.  do Centro Internacional para a Empresa Privada (CIPE).

O programa foi criado para fornecer a jovens “estrelas em ascensão” que trabalham em Câmaras de Comércio e associações de negócios no exterior oportunidades para adquirir habilidades adicionais de liderança e desenvolvimento profissional nos Estados Unidos.

CIPE, uma organização sem vias de lucro que é afiliada à Câmara de Comércio Americana, trabalhou em parceria com câmaras de comércio em cinco cidades americanas que receberam durante cinco semanas participantes de Bangladesh, Rússia, Serra Leão, Sri Lanka, Tanzânia e Brasil.

Para Dale Steenberger, Presidente e CEO da Câmara de Comércio da Grande Cheyenne, ter Pereira como parte da equipe foi uma “grande experiência” que deu uma “perspectiva diferente” às questões enfrentadas por sua câmara.

Steenberg disse que sua comunidade está lidando com um boom de energia que vai de energia alternativa à tradicional que é vital para a economia local e do estado. Ele observou que Pereira trabalhou no Brasil com política de energia e sentia-se grato por receber uma pessoa com essa experiência.

“Ele fez uns dois grandes projetos de pesquisa para nós enquanto ele estava aqui”, disse Steenberger. “Marco, ele é uma grande pessoa, muito inteligente e atencioso. Ele se sobressaiu não só na câmara como na comunidade”.

Durante a sua estadia de cinco semanas, Pereira destacou a oportunidade que teve de conhecer deputados e senadores, de realizar um trabalho racionalizando processos para a criação de negócios e de descobrir como a câmara pode utilizar ferramentas grátis de treinamento on-line.

Pereira disse que enquanto estava em Cheyenne ele “aprendeu muito sobre planejamento”.

“Um dia quando estávamos falando sobre planejamento num evento de Natal, eu lhes dei algumas dicas sobre o que eles poderiam fazer, mas que levaria tempo”, disse Pereira. “Eles me disseram para não me preocupar porque eles já estavam planejando o evento do ano seguinte. Infelizmente no Brasil temos o hábito de deixar tudo para o último minuto”.

Durante sua visita a Washington, Pereira teve a oportunidade de conhecer membros de grupos de reflexão (think tanks), funcionários do governo dos EUA e ouvir cinco premiados do programa falar de suas experiências nos Estados Unidos.

Para eles, o desenvolvimento comunitário é fundamental para o desenvolvimento empresarial.

E Pereira certamente aprendeu sua lição sobre networking.
“Eu estava pensando sobre como poderia retornar esta oportunidade que o CIPE me proporcionou”, disse Pereira. “Uma coisa que a minha associação faz muito bem no Brasil é educação técnica. Eu não sei se tenho capital para isso, mas gostaria que eles nos visitassem e vissem de perto as nossas escolas técnicas”.