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Notícias

Discurso do presidente Obama na Assembléia Geral das Nações Unidas

CASA BRANCA
Ecritório do Secretário de Imprensa
21 de setembro de 2011

Nações Unidas
Nova York, Nova York
10h12, horário de verão da Costa Leste 


PRESIDENTE OBAMA: Senhor presidente, senhor secretário-geral, colegas delegados, senhoras e senhores: é uma grande honra para mim estar aqui hoje. Gostaria de falar com vocês sobre um assunto que está no âmago das Nações Unidas – a busca da paz em um mundo imperfeito.

Guerras e conflitos estão entre nós desde os primórdios das civilizações. Mas na primeira metade do século 20, o avanço dos armamentos modernos resultou em uma escala assombrosa de mortes. Foram essas mortes que levaram os fundadores desta organização a criar uma instituição focada não apenas em acabar com uma guerra, mas em evitar outras; uma união de Estados soberanos que procuraria impedir conflitos e ao mesmo tempo tratar de suas causas.

Nenhum americano fez mais para alcançar esse objetivo do que o presidente Franklin Roosevelt. Ele sabia que uma vitória na guerra não era suficiente. Como ele disse em uma das primeiras reuniões sobre a fundação das Nações Unidas: “Temos de fazer não apenas a paz, mas uma paz que dure.”

Os homens e as mulheres que construíram esta instituição entenderam que a paz é mais do que apenas ausência de guerra. Uma paz duradoura – para as nações e para as pessoas – depende de um sentido de justiça e oportunidade, de dignidade e liberdade. Depende de luta e sacrifício, de compromissos e de um sentido de humanidade comum.

Uma delegada da Conferência de São Francisco, que levou à criação das Nações Unidas, colocou bem: “Muitas pessoas”, ela disse, “falaram como se tudo que tivesse de ser feito para conseguir a paz fosse dizer em alto e bom som e muitas vezes que amamos a paz e odiamos a guerra. Agora aprendemos que não importa o quanto amemos a paz e odiemos a guerra, não podemos evitar que a guerra chegue até nós se houver convulsões em outras partes do mundo”.

O fato é que a paz é difícil. Mas nossos povos exigem a paz. Depois de quase sete décadas, embora as Nações Unidas tenham ajudado a evitar uma terceira guerra mundial, ainda vivemos em um mundo amedrontado por conflitos e atormentado pela pobreza. Ainda que proclamemos nosso amor pela paz e nosso ódio pela guerra, ainda há convulsões em nosso mundo que ameaçam a todos nós.

Assumi a Presidência quando os Estados Unidos enfrentavam duas guerras. Além disso, extremistas violentos que antes de tudo nos arrastaram para a guerra – Osama bin Laden e sua organização Al Qaeda – continuavam livres. Hoje, definimos uma nova direção.

No fim deste ano, a operação militar dos Estados Unidos no Iraque estará encerrada. Teremos uma relação normal com uma nação soberana que é membro da comunidade das nações. Essa parceria em condições de igualdade será fortalecida por nosso apoio ao Iraque – ao seu governo e às suas forças de segurança, ao seu povo e às suas aspirações.

Ao mesmo tempo que terminamos a guerra no Iraque, os Estados Unidos e nossa coalizão de parceiros começaram uma transição no Afeganistão. De agora até 2014, o governo e as forças de segurança do Afeganistão, cada vez mais capacitados, vão assumir a responsabilidade pelo futuro de seu país. À medida que isso é feito, estamos reduzindo nossas próprias forças e ao mesmo tempo construindo uma parceria duradoura com o povo afegão.

Portanto, que não haja dúvida: a maré da guerra está retrocedendo. Quando assumi, cerca de 180 mil americanos estavam servindo no Iraque e no Afeganistão. Ao final deste ano, esse número será reduzido pela metade e continuará a diminuir. Isso é crucial para a soberania do Iraque e do Afeganistão. Também é crucial para dar mais força aos Estados Unidos ao construirmos nossa nação internamente.

Além disso, estamos prontos para terminar essas guerras a partir de uma posição de força. Há dez anos, havia uma ferida aberta e aço retorcido, um coração partido no centro desta cidade. Hoje, quando uma nova torre se ergue no Ponto Zero, ela simboliza a renovação de Nova York, ao mesmo tempo que a Al Qaeda está sob mais pressão do que nunca antes. Sua liderança foi degradada. E Osama bin Laden, homem que matou milhares de pessoas de dezenas de países, nunca mais ameaçará a paz mundial.

Portanto, sim, essa foi uma década difícil. Mas hoje nos vemos numa encruzilhada da história com a oportunidade de seguir de modo decisivo na direção da paz. Para fazer isso, precisamos recorrer à sabedoria daqueles que criaram esta instituição. A Carta de Fundação das Nações Unidas nos conclama a “unir nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais”. E o Artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos desta Assembleia Geral nos lembra que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”. Essas crenças sólidas – na responsabilidade dos Estados e nos direitos de homens e mulheres – devem ser nosso guia.

E, nesse esforço, temos razões para ter esperança. Este ano tem sido de extraordinárias transformações. Mais nações tomaram iniciativas para manter a paz e a segurança internacionais. E mais pessoas estão reivindicando seu direito universal de viver em liberdade e com dignidade.

Pensem nisto: há um ano, quando nos reunimos aqui em Nova York, a perspectiva do sucesso de um referendo no Sudão do Sul era uma dúvida. Mas a comunidade internacional superou antigas divisões com o objetivo de apoiar o acordo que havia sido negociado para a autodeterminação do Sudão. E no terceiro trimestre passado, quando uma nova bandeira foi hasteada em Juba, ex-soldados baixaram suas armas, homens e mulheres choraram de alegria e crianças finalmente conheceram a promessa de olhar para um futuro que vão construir.

Há um ano, o povo da Costa do Marfim se aproximava de uma eleição histórica. E quando o candidato à reeleição perdeu e se recusou a respeitar os resultados, o mundo se recusou a ignorar. Integrantes das forças de paz da ONU foram hostilizados, mas não deixaram seus postos. O Conselho de Segurança, liderado pelos Estados Unidos, pela Nigéria e pela França, uniu-se para apoiar a vontade da população. E a Costa do Marfim é hoje governada pelo homem que foi eleito para liderá-la.

Há um ano, as esperanças do povo da Tunísia foram reprimidas. Mas eles escolheram a dignidade dos protestos pacíficos contra o punho de ferro do regime. Um vendedor acendeu uma faísca que tirou sua vida, mas deu início a um movimento. Contra a repressão, os estudantes gritaram a palavra “liberdade”. A balança do medo pendeu para o governante e não mais para aqueles que ele governava. E agora o povo da Tunísia prepara-se para eleições que o levarão para um pouco mais perto da democracia que ele merece.

Há um ano, o Egito tinha tido um único presidente durante quase 30 anos. Mas há 18 dias, os olhos do mundo estão grudados na Praça Tahrir, onde egípcios de todas as classes sociais – homens e mulheres, jovens e idosos, muçulmanos e cristãos – exigiram seus direitos universais. Vimos nesses manifestantes a força moral da não violência que incendiou o mundo, de Délhi a Varsóvia, de Selma à África do Sul – e sabíamos que a mudança havia chegado ao Egito e ao mundo árabe.

Há um ano, o povo da Líbia era governado pelo ditador que mais tempo permaneceu no poder no mundo. Mas confrontados com balas e bombas e um ditador que ameaçava caçá-los como ratos, os líbios mostraram coragem inflexível. Nunca nos esqueceremos das palavras do líbio que se levantou naqueles primeiros dias da revolução e disse: “Nossas palavras agora são livres.” É um sentimento inexplicável. Dia após dia, enfrentando balas e bombas, o povo líbio recusou-se a abrir mão daquela liberdade. E quando foram ameaçados pelo tipo de atrocidade em massa que muitas vezes não foi contestada no último século, as Nações Unidas agiram de acordo com sua carta constitucional. O Conselho de Segurança autorizou todas as medidas necessárias para impedir um massacre. A Liga Árabe pediu essa ação; nações árabes juntaram-se à coalizão liderada pela Otan que deteve as perseguições das forças de Kadafi.

Nos meses que se seguiram, a força de vontade da coalizão mostrou-se inquebrantável e a vontade do povo líbio não podia ser negada. Quarenta e dois anos de tirania chegaram ao fim em seis meses. De Trípoli a Misurata e Benghazi – hoje a Líbia é livre. Ontem, os líderes de uma nova Líbia tomaram seus lugares legítimos ao nosso lado, e esta semana os Estados Unidos estão reabrindo nossa embaixada em Trípoli.

É assim que a comunidade internacional deve trabalhar – nações se unindo em nome da paz e da segurança e pessoas reivindicando seus direitos. Agora, todos nós temos a responsabilidade de apoiar a nova Líbia – o novo governo líbio quando enfrentam o desafio de transformar este momento de promessa em uma paz justa e duradoura para todos os líbios.

Portanto, este tem sido um ano notável. O regime de Kadafi chegou ao fim. Gbagbo, Ben Ali, Mubarak não estão mais no poder. Osama bin Laden se foi, e a ideia de que a mudança só poderia ocorrer com violência foi enterrada com ele. Algo está acontecendo no nosso mundo. As coisas não serão mais como eram. O domínio humilhante da corrupção e da tirania está sendo investigado abertamente. Ditadores estão sendo observados. A tecnologia está colocando o poder nas mãos do povo. Os jovens estão repreendendo fortemente as ditaduras e rejeitando a mentira de que algumas raças, alguns povos, algumas religiões, algumas etnias não merecem a democracia. A promessa escrita no papel – “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos” – está mais próxima do nosso alcance.

Mas vamos nos lembrar: a paz é difícil. A paz é difícil. Os progressos podem ser revertidos. A prosperidade vem devagar. Sociedades podem se dividir. A medida do nosso sucesso deve ser se as pessoas podem viver em liberdade, com dignidade e segurança sustentadas. E as Nações Unidas e seus Estados-membros devem fazer sua parte para apoiar essas aspirações básicas. E temos mais a fazer.

No Irã, temos visto um governo que se recusa a reconhecer os direitos de seu próprio povo. E, ao nos reunirmos aqui hoje, homens e mulheres e crianças estão sendo torturados, detidos e assassinados pelo regime sírio. Milhares foram mortos, muitos durante o período sagrado do Ramadã. Outros milhares fugiram pelas fronteiras da Síria. O povo sírio mostrou dignidade e coragem em sua busca de justiça – protestando pacificamente, postando-se em silêncio nas ruas, morrendo pelos mesmos valores que esta instituição deve defender. E a pergunta para nós é clara: vamos ficar do lado do povo sírio ou dos seus opressores?

Os Estados Unidos já impuseram fortes sanções aos líderes da Síria. Apoiamos uma transferência de poder que atenda às aspirações do povo sírio. E muitos dos nossos aliados participaram desse esforço. Mas para o bem da Síria – e da paz e da segurança do mundo – precisamos falar com uma só voz. Não há desculpa para não agir. Agora é a hora do Conselho de Segurança das Nações Unidas impor sanções ao regime sírio e ficar ao lado do povo sírio.

Em toda a região, teremos de responder aos clamores por mudança. No Iêmen, homens, mulheres e crianças se reúnem aos milhares em cidades e praças todos os dias com a esperança de que sua determinação e o sangue derramado prevaleçam sobre um sistema corrupto. Os Estados Unidos apoiam essas aspirações. Precisamos trabalhar com os vizinhos do Iêmen e nossos parceiros em todo o mundo para buscar um caminho que permita uma transição pacífica de poder do presidente Saleh e um movimento para eleições livres e justas assim que possível.

No Bahrein, passos foram dados em direção à reforma e à prestação de contas. Estamos satisfeitos com isso, mas é preciso fazer mais. Os Estados Unidos são um amigo próximo do Bahrein e continuaremos pedindo ao governo e ao principal bloco de oposição – o Wifaq – para buscarem um diálogo significativo que resulte em mudança pacífica que atenda às aspirações do povo. Acreditamos que o patriotismo que une o povo do Bahrein deve ser muito mais poderoso do que as forças sectárias que o dividiriam. Será difícil, mas é possível.

Acreditamos que todas as nações devem traçar seu próprio curso para realizar as aspirações de seu povo, e os Estados Unidos não esperam concordar com todos os partidos ou pessoas que se expressem politicamente. Mas defenderemos sempre os direitos universais que foram adotados por esta Assembleia. Esses direitos dependem de eleições que sejam livres e justas; governança que seja transparente e preste contas; respeito pelos direitos das mulheres e das minorias; justiça que seja igual e imparcial. Isso é o que os nossos povos merecem. Esses são os elementos da paz que pode durar.

Além disso, os Estados Unidos continuarão a apoiar as nações que estão fazendo a transição para a democracia – com mais comércio e investimentos – de modo que a liberdade seja seguida por oportunidades. Vamos buscar um envolvimento mais profundo com os governos, mas também com a sociedade civil – estudantes e empreendedores, partidos políticos e imprensa. Proibimos aqueles que violam os direitos humanos de viajar para o nosso país. E impusemos sanções àqueles que menosprezam os direitos humanos no exterior. E sempre emprestaremos a nossa voz àqueles que foram silenciados.

Mas sei, em particular esta semana, que para muitos nesta sala há uma questão que se apresenta como teste para esses princípios e teste para a política externa americana, o conflito entre israelenses e palestinos.

Há um ano estive neste pódio e conclamei por uma Palestina independente. Naquele momento eu acreditava, e acredito agora, que o povo palestino merece seu próprio Estado. Mas o que eu disse também é que uma paz genuína só pode ser alcançada entre os próprios israelenses e palestinos. Um ano depois, apesar dos amplos esforços por parte dos Estados Unidos e de outros, as partes não superaram suas diferenças. Diante desse impasse, estabeleci uma nova base de negociações em maio deste ano. Essa base é clara. E é bem conhecida de todos nós aqui. Os israelenses precisam saber que qualquer acordo garantirá a sua segurança. Os palestinos merecem saber a base territorial de seu Estado.

Sei que muitos estão frustrados com a falta de progresso. Garanto-lhes que eu também estou. Mas a questão não é a meta que buscamos – a questão é como alcançar essa meta. E estou convencido de que não há atalhos para acabar com um conflito que dura décadas. A paz é uma tarefa árdua. A paz não virá com declarações e resoluções nas Nações Unidas – se fosse assim fácil, já teria sido alcançada. No final, são os israelenses e os palestinos que devem conviver lado a lado. No final, são os israelenses e os palestinos – não nós – que precisam chegar a um acordo sobre os problemas que os dividem: sobre fronteiras e segurança, sobre refugiados e Jerusalém.

No final, a paz depende de um compromisso entre os povos que devem conviver por longo tempo após terminados os discursos, por muito tempo após nossos votos terem sido contados. Essa é a lição da Irlanda do Norte, onde antagonistas ancestrais superaram suas diferenças. Essa é a lição do Sudão, onde um acordo negociado levou a um Estado independente. E esse é e será o caminho para um Estado palestino – negociações entre as partes.

Buscamos um futuro no qual os palestinos vivam em seu próprio Estado soberano, sem limites para o que possam alcançar. Não há dúvida de que os palestinos têm visto esse ideal adiado por tempo demais. É precisamente porque acreditamos tão firmemente nas aspirações do povo palestino que os Estados Unidos investiram tanto tempo e esforço na construção de um Estado palestino e em negociações que possam culminar em um Estado palestino.

Mas entendam bem isto: o compromisso dos Estados Unidos com a segurança de Israel é irredutível. Nossa amizade com Israel é profunda e inabalável. Por isso acreditamos que qualquer paz duradoura deve levar em consideração as preocupações muito reais com a segurança que Israel enfrenta todo santo dia.

Sejamos honestos: Israel está cercado de vizinhos que por diversas vezes travaram guerras contra ele. Os cidadãos de Israel têm sido mortos por foguetes disparados contra suas casas e por bombas suicidas detonadas em seus ônibus. As crianças de Israel crescem sabendo que em toda a região outras crianças são ensinadas a odiá-las. Israel, um pequeno país com menos de 8 milhões de habitantes, vê um mundo em que líderes de nações muito maiores ameaçam eliminá-lo do mapa. O povo judeu carrega o fardo de séculos de exílio e perseguição, além de memórias recentes sobre 6 milhões de pessoas que foram mortas simplesmente por serem quem são. Esses são os fatos. Não se pode negá-los.

O povo judeu construiu um Estado bem-sucedido em sua histórica terra natal. Israel merece reconhecimento. O país merece ter relações normais com seus vizinhos. E os amigos dos palestinos não lhe fazem nenhum favor ao ignorar essa verdade, assim como os amigos de Israel devem reconhecer a necessidade de buscar uma solução de dois Estados com um Israel seguro ao lado de uma Palestina independente.

Essa é a verdade – os dois lados têm aspirações legítimas – e isso é parte do que torna a paz tão difícil. E o impasse só será superado quando cada lado aprender a vestir o sapato do outro; quando cada lado enxergar o mundo pelos olhos do outro. É isso o que deveríamos incentivar. É isso o que deveríamos promover.

Esta organização – fundada, como o foi, das cinzas da guerra e do genocídio, dedicada, como o é, à dignidade de cada pessoa – precisa reconhecer a realidade vivida tanto pelos palestinos quanto pelos israelenses. A medida das nossas ações deve ser sempre se elas avançam o direito das crianças israelenses e palestinas de viver em paz e segurança com dignidade e oportunidades. E só teremos êxito nesse esforço se pudermos incentivar as partes a se sentarem, ouvir uma a outra e entender as esperanças e os receios uma da outra. Esse é o projeto com o qual os Estados Unidos estão comprometidos. Não há atalhos. E é nisso que as Nações Unidas deveriam se concentrar nas próximas semanas e nos próximos meses.

Pois bem, mesmo ao enfrentarmos esses desafios de conflitos e revoluções, devemos também reconhecer – devemos também nos lembrar – de que a paz não é apenas a ausência de guerra. A verdadeira paz depende da criação de oportunidades que façam a vida valer a pena. E, para isso, precisamos enfrentar os inimigos comuns da humanidade: armas nucleares e pobreza, ignorância e doenças. Essas forças corroem a possibilidade de paz duradoura, e juntos somos convocados a enfrentá-las.

Para afastar o fantasma da destruição em massa, devemos nos unir na busca pela paz e pela segurança de um mundo sem armas nucleares. Nos últimos dois anos, começamos a trilhar esse caminho. Desde a nossa Cúpula sobre Segurança Nuclear, em Washington, cerca de 50 nações adotaram medidas para salvaguardar materiais nucleares de terroristas e contrabandistas. No próximo mês de março, uma cúpula em Seul avançará nossos esforços para salvaguardar todos eles. O novo Tratado Start entre os Estados Unidos e a Rússia cortará nossos arsenais posicionados ao nível mais baixo em meio século, e as duas nações estão buscando conversações sobre como chegar a reduções ainda maiores. Os Estados Unidos continuarão a trabalhar pela proibição de testes de armas nucleares e da produção do material físsil necessário para fabricá-las.

E, assim, começamos a caminhar na direção certa. E os Estados Unidos estão comprometidos em cumprir suas obrigações. Mas mesmo ao cumprirmos nossas obrigações, fortalecemos os tratados e as instituições que ajudam a deter a disseminação dessas armas. E, para tanto, precisamos continuar a responsabilizar as nações que os desrespeitam.

O governo iraniano não pode comprovar que seu programa seja pacífico. O país não cumpriu as suas obrigações e rejeita as ofertas que o supririam de energia nuclear pacífica. A Coreia do Norte ainda não adotou medidas concretas para abandonar suas armas e continua a ação beligerante contra o Sul. Há um futuro de maiores oportunidades para as pessoas dessas nações se o governo de cada um desses países cumprir suas obrigações internacionais. Mas se continuarem por um caminho marginal à legislação internacional, precisam sofrer mais pressão e isolamento. É isso o que exige o nosso compromisso com a paz e a segurança.

Para levar oportunidades ao nosso povo, devemos promover o crescimento que cria oportunidades. Nesse esforço, não vamos nos esquecer de que fizemos enormes progressos nas últimas décadas. Sociedades fechadas deram lugar a mercados abertos. A inovação e o empreendedorismo transformaram a maneira como vivemos e as coisas que fazemos. As economias emergentes, da Ásia às Américas, tiraram centenas de milhões de pessoas da pobreza. É uma realização extraordinária. Contudo, há três anos enfrentamos a pior crise financeira em oito décadas. E essa crise comprovou um fato que se torna mais evidente a cada ano – nossos destinos estão interconectados. Em uma economia global, as nações terão ascensão, ou queda, juntas.

E, hoje, enfrentamos os desafios que se seguiram a essa crise. No mundo todo, a recuperação ainda é frágil. Os mercados continuam voláteis. Pessoas demais estão desempregadas. Pessoas demais estão lutando apenas para sobreviver. Nós agimos juntos para impedir a depressão em 2009. Precisamos mais uma vez agir urgentemente e de forma coordenada. Aqui nos Estados Unidos, anunciei um plano para levar os americanos de volta ao trabalho e impulsionar nossa economia, ao mesmo tempo que estou comprometido em reduzir substancialmente nossos déficits ao longo do tempo.

Apoiamos nossos aliados europeus na reformulação de suas instituições e na solução de seus próprios desafios fiscais. Em outros países, os líderes enfrentam um desafio diferente ao redirecionar a economia para uma demanda interna mais autossuficiente e em expansão enquanto diminuem a inflação. Portanto, trabalharemos com as economias emergentes que mostraram forte recuperação, de forma a que os padrões de vida mais altos criem novos mercados que promovam o crescimento global. É isso o que exige o nosso compromisso com a prosperidade.

Para combater a pobreza que castiga nossas crianças, devemos agir na crença de que não ter carência é um direito humano básico. Os Estados Unidos tornaram o combate à fome um foco do nosso engajamento no exterior. E, hoje, como as secas e os conflitos levaram a fome ao Chifre da África, nossa consciência nos convoca a agir. Juntos, devemos continuar a fornecer assistência e apoio às organizações que trabalham para os necessitados. E, juntos, devemos insistir em acesso humanitário irrestrito para podermos salvar a vida de milhares de homens, mulheres e crianças. Nossa humanidade comum está em jogo. Vamos mostrar que a vida de uma criança na Somália é tão preciosa quanto qualquer outra. É isso o que exige o nosso compromisso com os nossos semelhantes.

Para deter as doenças que se disseminam pelas fronteiras, devemos fortalecer nossos sistemas de saúde pública. Continuaremos a luta contra o HIV/Aids, a tuberculose e a malária. Vamos no concentrar na saúde de mães e crianças. E devemos nos unir para prevenir, detectar e combater todo tipo de perigo biológico – seja uma pandemia como o H1N1, seja uma ameaça terrorista ou uma doença tratável.

Nesta semana, os Estados Unidos assinaram um acordo com a Organização Mundial da Saúde para afirmar nosso compromisso em enfrentar esse desafio. E, hoje, conclamo todas as nações a se unirem a nós no cumprimento da meta da OMS de garantir que todas as nações tenham as capacidades básicas para atender as emergências de saúde pública em 2012. É isso o que exige o nosso compromisso com a saúde do nosso povo.

Para preservar nosso planeta, não devemos deixar de empreender as ações que as mudanças climáticas demandam. Temos de aproveitar o poder da Ciência para salvar os recursos escassos. E, juntos, devemos continuar nosso trabalho de avançar o progresso feito em Copenhague e Cancún, para que todas as grandes economias que estão aqui hoje cumpram os compromissos assumidos. Juntos, devemos trabalhar para transformar a energia que move nossas economias e apoiar outros países à medida que tomam esse caminho. É isso o que exige o nosso compromisso com a próxima geração.

E para garantir que nossas sociedades alcancem seu potencial, devemos permitir que nossos cidadãos alcancem o deles. Nenhum país pode se dar ao luxo de conviver com a corrupção que contamina o mundo como um câncer. Juntos, devemos aproveitar o poder das sociedades e das economias abertas. Por isso nos unimos a países do mundo todo para lançar uma nova parceira sobre governo aberto que ajude a assegurar a prestação de contas e a dar poder aos cidadãos. Nenhum país deve negar a seu povo os direitos à liberdade de expressão e à liberdade de religião, mas também nenhum país deve negar a uma pessoa seus direitos por causa de quem ela ama, é por isso que devemos apoiar os direitos de gays e lésbicas em toda a parte.

E nenhum país poderá realizar seu potencial se metade de sua população não puder realizar o dela. Nesta semana, os Estados Unidos assinaram uma nova Declaração sobre a Participação das Mulheres. No próximo ano, cada um de nós deverá anunciar as medidas que estamos adotando para derrubar as barreiras econômicas e políticas que obstruem o caminho para mulheres e meninas. É isso o que exige o nosso compromisso com o progresso da humanidade.

Sei que não há uma linha reta para esse progresso, nem um caminho único para o sucesso. Viemos de culturas diferentes e carregamos conosco histórias diferentes. Mas não vamos nos esquecer de que mesmo quando nos reunimos aqui como chefes de diferentes governos, representamos cidadãos que compartilham as mesmas aspirações básicas – viver com dignidade e em liberdade; ter acesso à educação e buscar oportunidades; amar nossos familiares, amar e adorar nosso Deus; viver no tipo de paz que faz a vida valer a pena.

É da natureza do nosso mundo imperfeito sermos forçados a aprender essas lições repetidas vezes. O conflito e a repressão vão existir enquanto algumas pessoas se recusarem a fazer aos outros aquilo que desejam para si mesmas. E é precisamente por isso que construímos instituições como esta – para unir nossos destinos, para nos ajudar a nos reconhecer uns nos outros – porque aqueles que nos precederam acreditavam que a paz é preferível à guerra, a liberdade é preferível à repressão e a prosperidade é preferível à pobreza. Essa é a mensagem que não vem das capitais, mas dos cidadãos, do nosso povo.

E quando a pedra fundamental deste prédio foi assentada, o presidente Truman veio aqui para Nova York e disse: “As Nações Unidas são essencialmente uma expressão da natureza moral das aspirações do homem.” A natureza moral das aspirações do homem. Como vivemos em um mundo que muda a um ritmo de perder o fôlego, essa é uma lição que nunca devemos esquecer.

A paz é difícil, mas sabemos que é possível. Portanto, juntos, vamos nos determinar a ver que ela é definida pelas nossas esperanças e não pelos nossos medos. Juntos, vamos fazer a paz, mas, mais importante, uma paz que dure.

Muito obrigado. (Aplausos.)

FIM 10h47 - horário de verão da Costa Leste