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Nações dependem umas das outras para ter segurança nuclear, afirma Hillary Clinton
Stephen Kaufman | Da equipe de redação | 23 de setembro de 2011
Washington — A secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, manifestou forte apoio americano ao plano de ação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre segurança nuclear, dizendo que a energia nuclear é vital para atender às necessidades energéticas mundiais, mas contém “riscos e perigos especiais” e exige que todos os países sigam as mais altas normas de segurança.
Falando em 22 de setembro nas Nações Unidas, em Nova York, em uma reunião de alto nível sobre segurança nuclear, Hillary disse que “como um acidente nuclear em um país pode tornar-se rapidamente uma crise transnacional, estamos todos incumbidos de garantir o sucesso uns dos outros”.
O plano de ação da AIEA oferece caminhos para fortalecer e expandir os programas de revisão por pares da agência, os quais permitem aos países monitorar a segurança das usinas nucleares uns dos outros. Hillary declarou que os Estados Unidos continuarão a apoiar as missões de programação de revisão por pares no seu país, bem como a fazer com que seus próprios especialistas mais experientes participem de missões em outros lugares do mundo.
O plano de ação também “melhorará a capacitação para respostas de emergência, enfatizará a transparência e a cooperação e fortalecerá as infraestruturas de segurança nuclear no mundo inteiro”, explicou.
Todos os países precisam ser responsáveis por garantir que seus reatores nucleares atendam às “normas de segurança mais elevadas e mais atualizadas”, afirmou Hillary Clinton, e as normas da AIEA “deverão ser continuamente analisadas e revisadas à medida que aprendermos mais e detectarmos novos riscos”.
A secretária disse que o temor de contaminação nuclear “lança um grande espectro”, e o desastre que atingiu em março o reator nuclear de Fukushima, no Japão, chamou a atenção do mundo inteiro para esse problema.
“Essa crise, se é que o mundo precisava de uma, é um lembrete muito forte de que a energia nuclear requer precauções de segurança abrangentes” e que “nenhum de nós está imune”, afirmou Hillary, relembrando o derretimento parcial do núcleo da usina nuclear de Three Mile Island, na Pensilvânia, em 1979, e o desastre de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.
“Em cada uma dessas ocasiões, a AIEA e os órgãos reguladores nucleares se mobilizaram para determinar o que estava errado e tentar impedir que ocorresse de novo. Porém, é imperativo que todo país possuidor de energia nuclear esteja preparado para cenários que incluam vários riscos sérios e priorize a segurança pública”, declarou.
Após o acidente de Fukushima, o presidente Obama ordenou uma revisão abrangente da segurança de todas as 104 usinas nucleares ativas dos Estados Unidos, e a Comissão de Regulamentação Nuclear dos EUA concluiu inspeções de curto prazo e apresentou recomendações para aperfeiçoar o marco regulatório e os procedimentos de segurança.
“Ao projetar e construir usinas de energia nuclear da próxima geração, precisamos integrar as lições que ainda estamos aprendendo do Japão”, disse Hillary Clinton.
A secretária também conclamou todos os países com reatores nucleares a aderir à Convenção sobre Segurança Nuclear da AIEA, de 1994, que, segundo ela, ainda é “o nosso melhor instrumento para promover normas internacionais de segurança”.
Com as crescentes necessidades energéticas do mundo, a energia nuclear “não é uma opção que podemos simplesmente tirar da mesa de negociação”, declarou, mas “é uma opção que contém riscos e perigos especiais”.
Para a secretária, é preciso unidade internacional para aperfeiçoar as práticas de segurança nuclear, e essa é uma questão que está acima de quaisquer diferenças políticas existentes.
“Temos de trabalhar juntos. Devemos isso a nós mesmos e às próximas gerações”, afirmou ela.
Uma importante autoridade do Departamento de Estado, que pediu para não ser identificada, contou aos jornalistas em 21 de setembro que o plano de ação da AIEA continua a pedir um processo voluntário de revisão por pares em vez de fazer dessas revisões uma exigência.
“Estabelecer uma exigência obrigatória para que os Estados-membros se submetam a revisões regulares por pares da AIEA exigiria a negociação de um acordo internacional vinculante entre os Estados-membros que muito provavelmente levaria vários anos para ser implantado, sem a garantia de adesão de todos os Estados-membros”, disse a autoridade.
Os Estados Unidos estão “bastante abertos” para explorar uma abordagem de prazo mais longo que poderia incluir revisões legalmente vinculantes, mas concordaram em continuar a apoiar um processo voluntário, informou.
“Acreditamos que essas revisões por pares voluntárias sejam importantes e que se somarão aos dados e ao conhecimento que temos, além de serem o tipo de cooperação que consideramos necessário ter”, declarou essa autoridade.