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Notícias de Washington

Avançando na luta contra a fome: Dia Mundial da Alimentação 2011

Jonathan Shrier e Ertharin Cousin / 16 de outubro de 2011

Hoje, o Dia Mundial da Alimentação nos faz lembrar que a fome é uma realidade para quase 1 bilhão de pessoas no mundo todo. Os preços voláteis e em elevação dos alimentos desde o ano passado levaram outras dezenas de milhões de pessoas para a fila dos famintos. 

Este é um dia especialmente tocante, pois acabamos de retornar do Chifre da África, onde mais de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária de emergência. Na Somália, a falta de governança eficaz e as ações do grupo terrorista al-Shabaab para evitar que a ajuda humanitária chegasse aos necessitados transformaram uma seca severa em fome total.

Fomos à Etiópia e ao Quênia com o administrador da USAID, Raj Shah, onde nos reunimos com nossos parceiros na região, incluindo autoridades do governo e representantes da sociedade civil e do setor privado, para discutir a melhoria da segurança alimentar em curto, médio e longo prazo.

Avançamos com nossos parceiros.

Os Estados Unidos são o maior doador de assistência humanitária à região, fornecendo atualmente cerca de US$ 650 milhões em assistência vital aos necessitados. Essa assistência atendeu perto de 4,5 milhões de pessoas, muitas das quais teriam sucumbido à fome ou a doenças relacionadas sem essa ajuda. Mas embora saibamos que a assistência de emergência proporciona ajuda imediata, ela não evitará a próxima crise. A segurança alimentar sustentada será alcançada somente quando os países tiverem cadeias de valor agrícolas bem desenvolvidas; quando os produtores agrícolas usarem as técnicas e a tecnologia mais adequadas, bem como sementes melhoradas; quando agricultores e comerciantes puderem entrar em mercados desenvolvidos para vender suas mercadorias e comprar alimentos nutritivos para suas famílias; e quando todos na agricultura – mulheres e homens, agricultores, criadores e pescadores – tiverem acesso aos recursos de que necessitam. Esses são alguns dos pontos focais da Alimentar o Futuro, iniciativa global dos EUA para a fome e a segurança alimentar.

Tivemos provas de que estamos no caminho certo na região. Conhecemos o agricultor queniano de cabelos grisalhos Gitau Ruchu, que sacou seu celular e nos fez uma demonstração do aplicativo para celular que ajuda os agricultores a criar rebanhos mais saudáveis e mais produtivos. O iCow foi o vencedor do concurso Apps4Africa de 2010, patrocinado pelo Departamento de Estado dos EUA. O aplicativo está melhorando a receita de pequenos agricultores ao ajudá-los a aprender melhores práticas, encontrar veterinários, registrar períodos de reprodução e obter bons preços para o leite. Esse tipo de tecnologia – e o conhecimento e a prosperidade que ela proporciona a agricultores como Ruchu – é um pequeno sinal do quanto a iniciativa Alimentar o Futuro é promissora.

Nossas discussões com autoridades governamentais na região foram frutíferas e estimulantes.

Na Etiópia, nossa reunião com o primeiro-ministro Meles, bem como uma reunião subsequente com sua equipe especializada em agricultura, resultou não apenas em conversações positivas, mas no início de um plano de ação para criar diversas oportunidades de mudança. Por exemplo, em uma vigorosa discussão sobre variedades de sementes, o primeiro-ministro enfatizou a necessidade de proteger as variedades de sementes locais, mas também recebeu com satisfação a exploração de sementes melhoradas e uma maior participação do setor privado na obtenção de sementes de qualidade para os agricultores.

As altas autoridades agrícolas com as quais nos reunimos no Quênia concordaram que deveríamos procurar ajudar os agricultores a criar mais espaços privados de armazenamento, bem como um sistema de comercialização de commodities, inclusive um sistema de recebimento no armazém que criará oportunidades de mercado e de crédito para pequenos agricultores. Essas ferramentas poderão ajudar a tratar das questões de pós-colheita, enfrentadas por um grande número de pequenos agricultores. A ministra da Agricultura, Sally Kosgei, observou que ela e sua equipe já estão buscando a assessoria do Conselho de Grãos dos EUA para o desenvolvimento de um sistema de recebimento na armazenagem... isso é um avanço!

Com um dia na Etiópia e outro no Quênia, estávamos prontos para promover exatamente o tipo de diálogo necessário para ajudar esses líderes governamentais nos seus esforços para fazer mais do que apenas reagir à crise atual. Eles devem também continuar com o longo e árduo trabalho necessário para criar mais espaço para investimentos do setor privado nos seus países, bem como melhorar a agricultura sustentável impulsionada pelo mercado, para permitir que pequenos agricultores e criadores alimentem suas famílias na época de chuvas e até durante os períodos inevitáveis de ausência de chuvas.