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Avaliação dos avanços no Haiti um ano após o terremoto
Mark Trainer - da equipe de redação
Washington, 10 de janeiro de 2011 — Durante o ano que se passou desde o forte terremoto que atingiu o Haiti, um esforço internacional sem precedentes foi mobilizado para levar ajuda emergencial ao país e ao mesmo tempo enfrentar os obstáculos, tanto os existentes antes do abalo quanto os causados diretamente por ele.
Quando o terremoto de magnitude 7,0 atingiu o Haiti pouco antes das 17h do dia 12 de janeiro de 2010, o país mais pobre do Continente Americano perdeu 230 mil cidadãos, 28 dos 29 ministérios do governo e abrigo, água limpa e energia que poderiam ter tornado mais fácil a vida de milhões de sobreviventes.
Em entrevista realizada no escritório da coordenadoria especial para reconstrução do Haiti no aniversário de um ano do terremoto, a coordenadora adjunta Kara McDonald descreveu a abordagem do governo dos EUA para a reconstrução e avaliou o progresso dos últimos 12 meses.
McDonald fez distinção entre a resposta emergencial imediata e a estratégia para ajuda de longo prazo. A resposta internacional liderada pelos EUA imediatamente após o desastre envolveu uma "abordagem sem precedentes à cooperação multilateral e à cooperação interagências", afirmou. Cento e quarenta países juntaram-se aos Estados Unidos para oferecer assistência. Nos Estados Unidos, a coordenação dos esforços incluiu a Agência dos Estados Unidos Para o Desenvolvimento Internacional (USAID), os Centros de Controle de Doenças e os departamentos de Saúde e Serviço Social, Segurança Interna, Defesa, Energia e Tesouro. McDonald menciona esse nível de cooperação como algo "iniciado no cenário emergencial que estamos mantendo na estratégia [de longo prazo]".
O curto prazo: resposta emergencial
Na resposta imediata, a USAID juntou-se ao Programa Mundial de Alimentação das Nações Unidas no maior esforço de distribuição urbana de alimentos da história, alimentando mais de 3,5 milhões de pessoas. O terremoto criou 25 milhões de toneladas de escombros que levarão anos para ser removidos. Mas nos dez meses que se seguiram ao terremoto, mais escombros foram removidos no Haiti do que nos dois anos e meio que se seguiram ao tsunami em Aceh, na Indonésia.
A estratégia de longo prazo dos Estados Unidos para a reconstrução baseia-se em quatro áreas de maior preocupação: infraestrutura, agricultura, saúde e Estado de Direito. Em cada uma dessas áreas, o Haiti estava muito aquém do resto do mundo ocidental antes do terremoto.
"Trabalhamos para alojar ou tirar dos campos de desabrigados cerca de 125 mil pessoas. Avaliamos os danos causados a cerca de 400 mil casas", disse McDonald. As estruturas são avaliadas de acordo com o sistema verde/amarelo/vermelho. Mais da metade das casas avaliadas foi classificada com "verde", que indica que as casas estão prontas para serem ocupadas. E a USAID está prestando assistência na recuperação dos 25% de casas classificadas com "amarelo", que indica que estão estruturalmente sólidas, mas requerem reparos para serem ocupadas com segurança.
O governo americano injetou US$ 19 milhões na economia local ao colocar 350 mil haitianos em empregos de curto prazo em áreas como remoção de escombros, prontidão para o Furacão Tomas ou avaliações de prédios.
Sessenta por cento dos haitianos obtêm sua renda da agricultura. Com investimentos dos EUA em fertilizantes, ferramentas, sementes e capacitação técnica, algumas áreas tiveram aumento de 75% na produção agrícola. Mais haitianos têm acesso à água limpa atualmente do que antes do terremoto, e o governo dos EUA financiou imunização contra doenças altamente transmissíveis, como difteria e pólio, para mais de um milhão de haitianos.
No longo prazo: rumo à recuperação sustentável
Parte do desafio da implementação da estratégia de longo prazo é o grau em que seus quatro aspectos estão entrelaçados. McDonald citou o exemplo dos milhões de haitianos que ainda vivem em tendas sob coberturas de plástico. Além daqueles cujas casas foram destruídas no terremoto, alguns permanecem na cidade de tendas porque ela oferece benefícios que as comunidades de origem não ofereciam. E esses benefícios podem ter mais a ver com saúde (acesso à água limpa) e Estado de Direito (segurança) do que com infraestrutura.
"O progresso nem sempre é visível", disse McDonald. "Se você olhar para Aceh ou se olhar para o Furacão Katrina — alguns desses desastres naturais de grande escala — realmente leva uns 18 meses para que as estruturas de coordenação e o trabalho se desenvolvam até um ponto em que seja possível ver os benefícios."
"Então, não se pode dizer que não houve muito avanço, mas deve-se dizer que é importante manter o impulso, mesmo quando as frustrações são altas. Porque nós na verdade sentimos que os retornos estão realmente na nossa frente."
