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Secretário do Tesouro dos EUA encontra-se com alunos da Fundação Getúlio Vargas

Discurso do Secretário do Tesouro dos EUA, Tim Geithner na Fundação Getulio Vargas em São Paulo

São Paulo, 7 de fevereiro de 2011 - No próximo mês, o presidente Obama visitará o Brasil, e tenho grande prazer em estar aqui para ajudar a preparar a base para uma relação mais forte entre nossos países.

O Brasil é uma potência econômica e financeira no cenário global.  Nossas economias têm forças similares e enfrentam desafios semelhantes.  Sabemos que o crescimento econômico precisa de um setor privado forte e dinâmico; de compromisso com um comércio aberto e justo; e de investimentos em inovação, educação e infra-estrutura.  Sabemos da grande importância de propiciar mais oportunidades a todos os nossos cidadãos.

Nossos laços econômicos estão se expandindo.  O comércio entre nossos países quase dobrou desde a virada do século. Investimento e capital fluem em ambas as direções. Hoje empreendedores brasileiros estão investindo nos Estados Unidos, abrindo fábricas e criando empregos, assim como empresas americanas estão fazendo no Brasil.

Nossos interesses econômicos estão fundamentalmente alinhados.  Quando a crise financeira eclodiu, trabalhamos lado a lado para defender uma estratégia internacional coordenada para recuperar o crescimento econômico.  Mobilizamos recursos para restaurar a confiança e reiniciar o fluxo comercial. Adotamos uma estrutura comum para uma reforma do sistema financeiro global para reduzir o risco de futuras crises.

Os Estados Unidos defenderam, com sucesso, que o Brasil tivesse um papel maior no âmbito das questões multilaterais.  Defendemos com afinco que o G-20 se tornasse o principal fórum de cooperação econômica e financeira global.  Agimos agressivamente para ampliar o papel de importantes países de mercados emergentes como o Brasil na governança do FMI e do Banco Mundial.  Agora, seu país é um dos maiores acionistas do FMI.  Também trabalhamos para incluir países como o Brasil no Conselho de Estabilidade Financeira, que ajuda a estabelecer regras para as finanças globais. E, unimos forças para construir uma estrutura para o G-20, que coloca países superavitários e deficitários juntos para rever e combater os riscos enfrentados pela economia global e para definir políticas necessárias para enfrentá-los.

O Brasil se beneficiou de uma capacidade excepcional de liderança econômica, que produziu rápido crescimento e grandes ganhos nos padrões de vida, tirando milhares de pessoas da pobreza extrema.  O crescimento econômico tem sido equilibrado, puxado por demanda interna, consumo e investimento.  Para que esse equilíbrio seja sustentável, o Brasil, bem como os Estados Unidos, precisam do equilíbrio da economia global.

O Brasil está vendo um forte aumento da entrada de capital. Isto está acontecendo por dois motivos. Primeiro, investidores no mundo inteiro estão vendo o Brasil crescer a um ritmo mais rápido e oferecer taxas mais altas de retorno na comparação com outras grandes economias.  Mas esses fluxos têm sido aumentados por políticas de outras economias emergentes que estão tentando manter moedas desvalorizadas, com regimes cambiais controlados rigidamente. O Brasil e outras economias emergentes com taxas de câmbio flutuantes e mercados de capital aberto vivenciaram uma parcela desigual tanto dos benefícios como do ônus desses fluxos de capital.

Gerenciar fluxos de capital em tais circunstâncias não é uma tarefa fácil.  O fato é que é muito difícil usar somente ferramentas de política monetária para combater a inflação sem colocar mais pressão na taxa de câmbio.  Países que enfrentam uma carga extrema de ajustes e taxas de câmbio flutuantes sobrevalorizados podem precisar adotar medidas macro-prudenciais como complemento a reformas fiscais.

Mas o Brasil e outros mercados emergentes não podem tratar desses desafios somente com suas próprias escolhas de políticas.  Eles precisam – assim como nós (os EUA) – do suporte de escolhas de políticas de outras grandes economias. À medida que países com grandes superávits agem para fortalecer a demanda interna em suas economias, para abrir seus mercados de capital e permitir que suas moedas reflitam fundamentos, veremos mais equilíbrio no fluxo de capital, menos pressão para valorizar a moeda brasileira, e um crescimento mais robusto das exportações do Brasil, em especial das exportações de produtos manufaturados.  

Sabemos que o mundo vê os Estados Unidos como uma fonte de estabilidade e força para a economia global. O presidente Obama agiu ativamente quando tomou posse para reformar nosso sistema financeiro, estabelecer um alicerce para uma expansão mais sustentável e tratar das falhas na supervisão financeira, que causaram tantos danos à nossa economia e à economia mundial.

Essas políticas e as do Federal Reserve já produziram seis trimestres de crescimento econômico positivo e mais de um milhão de empregos no setor privado.  O crescimento foi puxado por investimento privado.  Poupanças privadas aumentaram e nosso déficit em conta corrente diminuiu. O crescimento da produtividade tem sido muito forte, se comparado com a experiência de outras grandes economias.

Mas temos mais trabalho a fazer.  Temos que continuar a investir em inovação, na melhoraria da educação, no fortalecimento da infra-estrutura pública e no estímulo do investimento privado.  E temos que recuperar a sustentabilidade fiscal com reformas que permitam crescimento para reduzir nosso déficit de longo prazo. Os Estados Unidos estão cientes de sua responsabilidade especial no funcionamento sólido do sistema econômico e monetário internacional. 

Nossas economias estão muito mais fortes do que há dois anos.  Estamos ligados por desafios econômicos compartilhados e interesses comuns. E agora é mais importante que nunca que trabalhemos juntos como parceiros para que nossos povos, negócios e economias possam nortear e também se beneficiar do crescimento da economia global.

Obrigado.