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EUA querem aplicação de sanções ao Irã após complô de assassinato
Stephen Kaufman | Da equipe de redação | 15 de outubro de 2011
Washington — Os Estados Unidos estão conclamando a comunidade internacional a considerar as ramificações do suposto complô para assassinar um diplomata saudita envolvendo membros da Força Qods da Guarda Revolucionária do Irã. Autoridades dos EUA estão pedindo a outras nações para unir-se ao governo Obama na implementação de sanções financeiras para isolar ainda mais o governo do Irã e pressioná-lo a atender às demandas internacionais sobre suas atividades nucleares, seu apoio ao terrorismo e a repressão a seu povo.
Em depoimento em 13 de outubro perante a Comissão de Assuntos Bancários, Habitacionais e Urbanos do Senado dos EUA, a subsecretária de Estado para Assuntos Políticos, Wendy Sherman, disse que o suposto complô que visava ao embaixador saudita nos Estados Unidos, Adel al-Jubeir, e que poderia ter matado americanos nos Estados Unidos foi “uma flagrante violação das leis internacionais e uma perigosa escalada do já conhecido uso de violência política e patrocínio do terrorismo por parte do governo iraniano”.
“Essa conspiração também viola a Convenção sobre Pessoas que Gozam de Proteção Internacional, inclusive agentes diplomáticos, da qual o Irã é signatário, bem como as resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, declarou Wendy Sherman. O Irã “deve ser responsabilizado por suas ações”, acrescentou ela.
Disse que, embora o embaixador al-Jubeir tenha sido o alvo, foi “de fato um complô contra todos os diplomatas. E pediremos que todos os países considerem adotar medidas adequadas, inclusive negando a membros da Força Qods qualquer plataforma para operar em seus países”.
Desde que o caso se tornou público em 12 de outubro, “instruímos todos os nossos embaixadores a fazer diligências junto aos mais altos escalões de seus governos anfitriões para informá-los sobre os fatos por trás desse plano”, “expondo os fatos meticulosa e racionalmente”, declarou. A União Europeia e muitos outros países, entre eles Nigéria, Estônia, Polônia, Croácia, Reino Unido e Canadá, emitiram suas próprias declarações condenatórias em resposta.
As Nações Unidas, a União Europeia, os Estados Unidos e outros países também impuseram sanções contra o Irã por abusos aos direitos humanos, apoio ao terrorismo e violação dos acordos sobre seu programa nuclear. Essas sanções também atingiram a Guarda Revolucionária e as empresas controladas pela instituição, e muitas altas autoridades iranianas estão com emissão de visto para a União Europeia e os Estados Unidos proibida.
A subsecretária disse que sanções são “mais eficazes e fortes quando são internacionais e as pessoas e os governos do mundo todo aplicam essas sanções”.
Autoridades americanas, inclusive o presidente Obama, a secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, e secretários adjuntos de Estado, comunicaram-se com governos em “todas as capitais” para incentivar outros países a “aplicar as sanções que estão nas leis, observar suas próprias sanções bilaterais e as designações feitas pelo Departamento do Tesouro dos EUA e a fazer suas próprias”, afirmou ela.
“Nós os incentivamos a garantir que a Força Qods pare de fazer negócios em seus países, observar as possíveis viagens de autoridades iranianas de alto escalão a seus países e a considerar, digamos, o adiamento, se não, o cancelamento dessas viagens”, disse ela.
Durante uma conversa com um de seus pares, Wendy disse à autoridade: “Pense sobre o que seu país necessita fazer e pense nisso em termos do que teriam feito e o que a comunidade internacional teria feito caso esse complô tivesse tido sucesso.”
As várias sanções em vigor oferecem “muitas ferramentas” que os países podem usar para exercer pressão sobre o governo do Irã, sugeriu ela. “Tudo que os países devem fazer é escolhê-las e pô-las em prática.”
O subsecretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira, David Cohen, informou à comissão do Senado que autoridades americanas reuniram-se com bancos, órgãos reguladores e autoridades governamentais de quase 50 países. A Lei Abrangente de Desinvestimento, Responsabilização e Sanções contra o Irã (Cisada), sancionada pelo presidente Obama em 2010, oferece uma escolha clara, afirmou o subsecretário.
“Um banco estrangeiro pode ter acesso ao maior e mais importante setor financeiro do mundo, os Estados Unidos, ou pode fazer negócios com bancos iranianos sob sanção. Mas não pode fazer as duas coisas”, disse Cohen.
“Para a maioria esmagadora dos bancos estrangeiros, a escolha é simples. Aqueles com relações potencialmente passíveis de sanção optaram por interromper esses negócios de imediato. E, ao tomar conhecimento de possível atividade passível de sanção segundo a Cisada, a investigamos ativamente, atuando em especial com órgãos reguladores de bancos estrangeiros e com os governos de seus países”, disse.
Como resultado da intensificação da cooperação internacional, o Irã não conseguiu impedir uma erosão constante do valor de sua moeda e tem sido cada vez mais incapaz de atrair investimentos estrangeiros, declarou Cohen. O Irã enfrenta uma perda projetada de US$ 14 bilhões por ano em receitas com petróleo até 2016, informou.
“Estamos progredindo, mas ainda há muito a ser feito para evitar que o Irã escape das sanções já em vigor e para aplicar suficiente pressão adicional sobre o Irã”, disse.
Ter como alvo mundial o Banco Central iraniano poderia ter um impacto poderoso
Em depoimento em 14 de outubro perante a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, Cohen disse que o governo Obama está tentando designar o Banco Central do Irã (BCI) como alvo das sanções. Segundo ele, embora as instituições financeiras americanas de modo geral já estejam proibidas de fazer negócios com bancos iranianos, inclusive o BCI, “outras medidas dos EUA contra esse banco, se conseguirem apoio multilateral, poderiam isolá-lo ainda mais, com impacto potencialmente poderoso sobre o Irã”.
Como o banco já está essencialmente isolado pelos Estados Unidos, “a pergunta real é se podemos, ao tomar outras medidas contra o BCI, seja pela nossa autoridade de não proliferação, seja segundo nossa autoridade de contraterrorismo — angariar o respeito multilateral para essa ação?”
“Esse trabalho está em andamento”, disse Cohen aos legisladores americanos.