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Avanço da cooperação em energia limpa e mudanças climáticas nas Américas
Matthew Rooney é subsecretário adjunto no Bureau de Assuntos do Hemisfério Ocidental
Como conselheiro econômico da Embaixada dos EUA em El Salvador dez anos atrás, trabalhei em um esforço para conectar as redes de energia da América Central. Estive no Panamá na semana passada, agora como subsecretário adjunto para Política Econômica Regional, onde me reuni com os ministros de Energia da América Central. Fiquei muito impressionado com os avanços realizados. Quase duas décadas após o início desse esforço, El Salvador e seus vizinhos estão próximos da criação de um mercado regional para energia elétrica.
Os Estados Unidos estão ajudando os governos nesse esforço, e em muitos outros, no âmbito da Parceria sobre Energia e Clima das Américas (ECPA). O presidente Obama propôs essa parceria na Quinta Cúpula das Américas, em 2009, e hoje a ECPA engloba mais de 40 iniciativas e projetos liderados por governos ou ONGs do Continente Americano. As atividades estão centradas em sete pilares: energia renovável, eficiência energética, uso mais limpo e eficiente de combustíveis fósseis, pobreza energética, infraestrutura, florestas sustentáveis, uso da terra e adaptação.
Fui ao Panamá para uma reunião da ECPA organizada pelo secretário de Energia do país, Juan Urriola. Todos os ministros de Energia e Meio Ambiente da região foram convidados para essa reunião. Cerca de 20 delegações governamentais e mais de 200 representantes de bancos de desenvolvimento, setor privado e sociedade civil compareceram. Os governos falaram sobre suas prioridades e as empresas privadas sobre políticas e marcos regulatórios necessários para investimento em projetos de energia limpa e infraestrutura.
As infindáveis oportunidades para cooperação energética e climática continuam a me impressionar. A América Central, graças às energias hidroelétrica e geotérmica, já é fornecedora de energia “verde”. Os países estão ligando suas redes de energia e criando um mercado energético regional que tornará os projetos de energia renovável de maior escala mais atraentes. As ilhas do Caribe também estão entusiasmadas com a energia renovável. A nação de Saint Kitts e Nevis, por exemplo, está trabalhando para tornar-se o primeiro país caribenho a suprir toda a sua necessidade elétrica com energia renovável própria a partir da energia eólica e geotérmica.
Nos Andes, os países usam a Ciência para entender como a retração glacial impactará sua segurança hídrica. No Caribe, cientistas fazem modelos dos efeitos das mudanças climáticas em pequenos países insulares e usam suas descobertas para planejamento de risco de desastre. Estamos lançando programas para diminuir, interromper e reverter o desmatamento, e todos os países estão avaliando o impacto das emissões provenientes de energia, uso da terra, silvicultura e agricultura e outros setores que têm implicações importantes para o desenvolvimento da região.
O que torna a ECPA singular é que os Estados Unidos são um dos muitos países a compartilhar seus conhecimentos especializados, o que enfatiza a possibilidade de trabalharmos com a região como parceiros iguais. Essa é uma região com muito “know-how”. A região fornece mais da metade do petróleo importado diariamente pelos EUA, e entre 25% e 30% da energia da região é fornecido por fontes renováveis, em comparação com a média mundial de 13%. Essa região implementou alguns dos pagamentos mais eficientes do mundo para estratégias de serviço ambiental, como na Costa Rica, e durante a reunião dos governos sobre a ECPA na semana passada, o Legislativo do Panamá aprovou uma nova lei sobre energia eólica.
Há muita coisa acontecendo nas Américas e estou orgulhoso de fazer parte de uma iniciativa que fornece os meios para o compartilhamento de responsabilidade no tratamento dos desafios comuns de segurança energética e mudanças climáticas. Quando os líderes se reunirem outra vez no encontro ministerial da ECPA a ser sediado pelo Brasil e na Sexta Cúpula das Américas que será sediada pela Colômbia em 2012, estaremos orgulhosos de todo o trabalho sério que esta região empreendeu e dos esforços conjuntos para compartilhar nossos conhecimentos especializados e ajudar uns aos outros.