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Notícias das Américas

Coletiva sobre o 1º aniversário do terremoto no Haiti

7 de janeiro de 2011

Secretário P.J. Crowley: Boa tarde e bem-vindos ao Departamento de Estado. Se fizermos uma retrospectiva de 2010, uma das histórias mais dramáticas do ano foi o trágico terremoto no Haiti há cerca de um ano. E a comunidade internacional, liderada pelos Estados Unidos, organizou um esforço enorme e sustentado de recuperação logo após o terremoto.

E duas pessoas que estão aqui conosco – Cheryl Mills, assessora da secretária Hillary Clinton, e Raj Shah, administrador da USAID, que provavelmente passaram mais tempo no governo dos Estados Unidos do que qualquer outra pessoa – concentraram-se no desafio que representa o Haiti após o terremoto. E ao nos aproximarmos do primeiro aniversário, pensei que seria um bom momento para trazê-los aqui para lhes dar informações atualizadas não só sobre o ponto em que estamos hoje no Haiti, mas sobre o caminho que temos pela frente.

E começaremos com Cheryl.

Cheryl Mills: Boa tarde. Como vão? Quero começar apenas agradecendo – prestando meus votos de agradecimento a todos vocês, mas também a muitos outros que cobrem o Haiti, porque uma das coisas que acho que todos sempre imaginaram sobre o Haiti foi que um dia o país deixaria as primeiras-páginas dos jornais e deixaria de ser uma história de interesse e oportunidade constantes para pensar nas maneiras como nós, como comunidade mundial, apoiamos outros países. E creio que uma das boas coisas que os meios de comunicação fizeram, e certamente muitos dos parceiros no mundo todo, além do povo do Haiti, foi ter mantido o foco no trabalho que precisa ser feito no Haiti, e o trabalho ainda é enorme.

Por isso, considero o papel que vocês desempenham e também o de muitos outros, crucial, porque, obviamente, o que aconteceu no Haiti transcende quase tudo que poderíamos imaginar em qualquer dado período e, certamente, todos os dias as pessoas se levantam no Haiti – para uma vida que agora está se normalizando de novo, familiares que não estão mais com eles e, claro, aqui no Departamento de Estado e em outros órgãos do governo temos entes queridos que também perdemos no Haiti. Assim, quero começar reconhecendo a enorme tragédia humana que foi o terremoto que ceifou a vida de tantas pessoas, principalmente na comunidade haitiana.

Creio que uma das razões pelas quais o Haiti é uma força tão resistente é que o país realmente tem capacidade de transcender até mesmo em um cenário extraordinariamente desafiador. Se vocês pensarem no ponto em que o Haiti começou, mesmo antes do terremoto, em que 80% da população do país viviam com menos de US$ 2 por dia, a taxa de desemprego ultrapassava os 70%, 50% dos jovens – crianças – não estavam na escola e menos de 12% tinham acesso à eletricidade, vemos que começamos em um ponto fundamentalmente muito problemático. E, contudo, o Haiti sempre atraiu – certamente em nosso país – a imaginação e também a comunidade e as relações naturais que são construídas por meio da diáspora de como pensar sobre as conexões que seriam necessárias para realmente ajudar o Haiti a ser o Haiti que o país deseja ser no futuro.

Quando pensamos no terremoto em termos da morte de mais de 200 mil pessoas e 300 mil feridas, mas também em termos do que significa o impacto no coração de uma capital que perdeu tantos servidores públicos e instalações que realmente... Eles realmente se levantam e trabalham todos os dias. O desastre também acabou com a oportunidade das pessoas de até mesmo se reunirem em seus lugares habituais – seus lares, certo? Porque tantas pessoas quase...

Certamente mais de um milhão e meio delas perdeu a casa. Nós começamos em um ponto quase inimaginável.

Raj poderá falar com vocês e certamente responder perguntas sobre o sucesso que acredito a liderança da USAID conseguiu proporcionar em nosso esforço de resgate e ajuda emergencial, no que diz respeito à forma como estamos sendo parceiros do Haiti em seu momento de necessidade mais desafiador e do que foi realmente realizado nesse período.

Quero me concentrar no fato de que hoje ainda temos uma enormidade de outros desafios que ainda estão lá no momento e, depois, é claro, responder muitas perguntas. E nós ainda temos 1 milhão de pessoas em barracas; isso certamente é melhor que 1,6 milhão de pessoas em barracas, mas ainda temos 1 milhão de pessoas em barracas. Ainda temos cerca de 9 milhões de metros cúbicos de escombros que precisam ser removidos; certamente foi positivo termos removido entre 1,5 milhão e 2 milhões, mas não é toda a quantidade de escombros que precisa ser removida. E não pode haver reconstrução sem a remoção de grandes quantidades de escombros.

Há sempre a necessidade constante de empregos, porque a taxa de desemprego continua sendo a que é. Portanto, por mais que a comunidade internacional, os doadores multilaterais e outros sejam bons parceiros, temos também de ser bons parceiros na forma como conseguimos fazer aquilo que achamos difícil nos Estados Unidos, e é assim que se cria empregos e se proporciona crescimento econômico no Haiti.

Creio que em várias coisas nós podemos ver com satisfação verdadeira que houve progresso, mas há muitas coisas que vão precisar de muito mais progresso, e acho que esse será o desafio no próximo um ou dois anos. Porque embora o progresso ocorra ao longo do tempo, as necessidades do Haiti são imediatas, sejam elas ou não relacionadas ao cólera, à moradia transitória, à criação de empregos, essas necessidades são imediatas, e nós temos adotado medidas para suprir essas necessidades imediatas, ao mesmo tempo que estamos planejando para o longo prazo.

Espero que hoje possamos responder a algumas perguntas e responder de uma maneira que ajude a dar subsídios para as matérias que vocês estão escrevendo e as informações contínuas que vocês estão fornecendo sobre o que precisa ser feito no Haiti e certamente o que o povo do Haiti espera que seja feito para o país.

Com isso, convido meu colega Raj a fazer seu pronunciamento de abertura.

Administrador Shah: Obrigado, Cheryl. E a todos vocês que, em prol do povo do Haiti, estão aqui com interesse e para ajudar a apoiar e dar visibilidade aos muitos êxitos e aos muitos desafios que ainda existem hoje.

Acho importante lembrar que há cerca de um ano tivemos um terremoto realmente terrível que representou um dos maiores desafios humanitários jamais enfrentado por nós. E à luz desse desafio humanitário que literalmente tirou a vida de centenas de milhares de pessoas e destruiu 27 dos 28 ministérios do governo do Haiti, o presidente e a secretária pediram aos Estados Unidos para organizar uma resposta rápida, coordenada e contundente da melhor maneira que pudéssemos e que fosse capaz de atender às necessidades do desafio daquele momento.

E quero usar um momento apenas para agradecer milhares de membros do serviço militar e do serviço civil, parceiros de implementação e organizações humanitárias que, de fato, assumiram essa responsabilidade e foram para o Haiti e trabalharam para realmente ajudar o povo haitiano a se recuperar dessa tragédia imensurável.

Vamos nos lembrar de que isso representou efetivamente o maior esforço humanitário jamais organizado, com distribuição de alimentos que, em seu pico, atendeu a 3,5 milhões de pessoas, com esforços para conseguir material para a construção de abrigos para 1,5 milhão de pessoas, com cerca de 2 milhões de metros cúbicos de escombros removidos, um ritmo mais rápido do que o que vimos nos dois primeiros dois anos e meio subsequentes à tragédia de Aceh na Indonésia. Portanto, diversas coisas foram feitas imediatamente após o terremoto com uma grande resposta humanitária global que realmente correspondeu ao compromisso do presidente com um esforço rápido, contundente e coordenado.

Nós também nos empenhamos muito ao longo do ano para trabalhar em parceria com o governo do Haiti para realmente tentar evitar outros desastres. O tanto de preparação e esforço realizados para proteger o sistema de drenagem em Porto Príncipe, a fim de proteger contra as enchentes e as temporadas de furacões e chuvas, foi muito importante. Os esforços para investir em agricultura e ver em algumas partes do país onde estamos trabalhando com o governo do Haiti a produção agrícola dobrar foi muito importante para ajudar o sistema alimentar do país a voltar aos trilhos em termos de um esforço para atender à população. E esforços para fornecer água limpa, imunizações e mensagens de saúde pública foram muito importantes para garantir que os surtos de doenças fossem prevenidos e evitados. E, mesmo agora, ao analisarmos a real epidemiologia do atual surto de cólera, as áreas em Porto Príncipe e seus arredores que receberam a resposta humanitária mais eficaz são áreas que estão relativamente protegidas em comparação com ambientes rurais distantes.

A longo prazo, como ressaltou Cheryl, o sucesso de todo esse esforço de recuperação e reconstrução vai depender tanto da estreita parceria com o governo, o povo e as instituições do Haiti quanto da nossa vontade e compromisso coletivos de ver esse esforço realizado. E, com esse espírito, adotamos várias medidas para tentar pôr em prática as inovações na forma como trabalhamos, a fim de garantir que estejamos realmente aproveitando as oportunidades do momento para reconstruir melhor, mesmo em um ambiente muito difícil.

Vou dar só dois exemplos. Um deles é o investimento que fizemos, em conjunto com fundações privadas, em esforços para levar serviços bancários e transações financeiras móveis ao povo do Haiti. E estamos vendo algum progresso real nessa área, sobre a qual poderemos falar mais nos próximos dias.

O segundo exemplo é que, ao buscarmos alguns dos esforços de reconstrução, especialmente no setor de moradia, no que se refere a diagnóstico e reparação das casas parcialmente danificadas durante o terremoto, colocamos em prática muitos dos princípios dos nossos esforços de reforma do sistema de compras governamentais, que está realmente voltado para o apoio às instituições e empresas locais com o objetivo de desenvolver normas de construção aperfeiçoadas e fazer parte do esforço de reconstrução, criando assim alguns dos empregos mencionados por Cheryl e também criando uma economia local mais vigorosa capaz de sustentar e realizar todo o esforço de reconstrução e recuperação.

Assim, embora tenhamos exemplos que nos deixam incrivelmente esperançosos, sabemos também que o caminho pela frente será desafiador. E continuamos comprometidos com os princípios que descrevemos no início dessa resposta – que seremos bons parceiros do povo e do governo do Haiti, que daremos prioridade aos esforços para construir capacidade local e instituições locais e que manteremos nosso foco nesse esforço a longo prazo, porque sabemos que essa é a maneira mais apropriada de dar corpo às relações que temos com o povo do Haiti.

Agradeço a todos e estou à disposição para responder algumas perguntas.

Pergunta: Sim. Fiquei no Haiti durante 13 dias após o terremoto e ainda estou em contacto com alguns prefeitos. E o quadro não é tão cor-de-rosa como vocês mostram. Até que ponto os EUA estão apoiando o programa da ONU Alimento por Trabalho?

Administrator Shah: Os Estados Unidos têm tido uma ampla gama de programas que apoiaram os programas Alimento por Trabalho e Dinheiro por Trabalho, tanto nos primeiros dias da recuperação quanto atualmente de forma ininterrupta. Não tenho detalhes sobre o atual nível de apoio para o programa específico Alimento por Trabalho, mas posso ressaltar que, nos esforços iniciais, a maioria dos programas Dinheiro por Trabalho e Alimento por Trabalho que estavam empregando haitianos para fazer coisas como remover escombros e preparar terrenos para a construção de abrigos transitórios e outras oportunidades de moradia foi fornecida por meio de doações, contratos e compromissos do governo americano com parceiros haitianos e ONGs.

Cheryl Mills: Só quero acrescentar uma coisa, porque não quero que isso seja caracterizado de forma equivocada, e –

Administrator Shah: Sim.

Cheryl Mills: Não sei se eu concordaria com uma visão de que o quadro no Haiti é cor-de-rosa.Na verdade, penso que se você visitasse o Haiti, entenderia que os desafios que o povo do Haiti enfrenta, sejam eles imediatamente relacionados com o terremoto ou não, são significativos. Portanto, não acho que seja um quadro cor-de-rosa. Penso realmente que é um quadro de esperança. Acho realmente que ainda há muito a fazer e deveríamos estar cientes disso, porque acho importante honrarmos e valorizarmos a realidade que a maioria dos haitianos enfrenta diariamente, que é uma realidade bastante desafiadora.

Pergunta: Eu não estava mencionando... Eu estava falando sobre os slides que estão passando enquanto vocês dois estão falando. Os slides eram bem cor-de-rosa.

Cheryl Mills: Ah! (Risos.) Nós não conseguimos vê-los. Desculpe, está certo.

Pergunta: O quadro não é cor-de-rosa, como alguns dos prefeitos estão dizendo. Outra coisa foi que o foco esteve quase todo voltado, nas primeiras semanas pelo menos, para o aeroporto e em torno do centro da cidade. Quando você dirigia oito ou dez quilômetros para fora da cidade, não tinha nada.

Portanto, até que ponto... essa é uma.

E a segunda foi perto do aeroporto que vocês têm essas fotos que estavam sendo mostradas ao mundo, as barracas da ONU. Mas logo atrás dessas barracas as condições eram realmente, realmente, muito, muito horríveis (inaudível). Essas duas, elas foram comprovadas? Eu soube que não, não foi feito muito. Portanto, vocês poderiam...

Cheryl Mills: Você quer responder a primeira parte e eu respondo a segunda?

Administrador Shah: Certamente. Bem, é absolutamente verdade que a resposta inicial foi focada no aeroporto, no porto e em outras grandes linhas de comunicação e transporte, porque o objetivo – se você se lembra, havia tantos escombros e tanta incerteza e tão pouca capacidade logística que os militares americanos, trabalhando com uma ampla gama de parceiros humanitários e de implementação, tiveram de criar um sistema de logística que permitisse a todos os diferentes países conseguir levar seus recursos, de hospitais de campo a produtos como sistemas de purificação de água, para dentro do país e fizessem a distribuição de forma adequada. Então, essa foi uma parte da resposta inicial, com certeza.

Acho que se você analisar como isso se desenrolou com o tempo, a resposta claramente foi muito além da área imediatamente em torno do aeroporto e certamente em todo o Haiti, mesmo em áreas fora e bem além de Porto Príncipe. E, atualmente, o esforço em torno dos serviços de saúde e os esforços para fazer rastreamento epidemiológico e de vigilância e tratamento de cólera demonstram que o compromisso foi cumprido em todo o país, não só em Porto Príncipe.

Pergunta: Obrigado.

Cheryl Mills: Sim, você está... nós estamos...

Secretário P.J. Crowley: Jill.

Pergunta: Olá! (Risos.)

Cheryl Mills: Desculpe. Só quero me certificar de que não estou pisando no calo de alguém.

Pergunta: Da CNN. Esse é um tipo de pergunta ampla. E você mencionou que o Haiti, mesmo antes do terremoto, estava em uma situação bastante ruim. Mas há alguma estimativa de quanto tempo levará para deixar o Haiti no mínimo nas condições em que estava antes do terremoto?

Cheryl Mills: Acho que essa é uma pergunta justa. Certamente do meu ponto de vista, eu diria duas coisas. A meta de todo mundo, como eles diriam, é reconstruir melhor. Na verdade penso em muitas maneiras de construir o Haiti de novo, pois existe uma oportunidade fundamentalmente diferente para construir de novo e não apenas reconstruir melhor, porque às vezes você pode dar grandes saltos a partir do ponto onde você costumava estar.

Tenho tendência a ser relativamente impaciente, dirão algumas pessoas, e gosto de ver as coisas acontecerem mais rápido do que provavelmente seria realista. Então, creio que uma coisa que tem sido muito proveitosa para mim quando penso sobre o que é racional e real... e aprendi com muitos dos parceiros de desenvolvimento com os quais trabalho, isso foi muito proveitoso para eles... Mas passei muito tempo analisando o que realmente aconteceu em Aceh, quanto tempo levou a reconstrução, quando eles começaram a ver pela primeira vez, não o planejamento, quando parece que nada está acontecendo, mas realmente começaram a ver os prédios começarem a subir, começaram a ver os programas serem implementados de uma maneira que você de fato podia ver a transformação, e então entender no final que havia algo que era sustentável e que o próprio governo poderia manter e o próprio povo poderia manter.

Esse processo na verdade demora de três a cinco anos. O verdadeiro desafio é que você tem de viver nesse período intermediário. Portanto, a pergunta deveria ser: O que deveria estar sendo feito no primeiro e no segundo ano para que as pessoas possam viver decentemente? E, do meu ponto de vista, isso realmente significa que nós temos uma obrigação única no Haiti – e não somente nós, o governo dos EUA, mas todos – descobrir como resolver os problemas de moradia e remoção dos escombros. Porque é difícil viver nesses dois espaços sem melhorar significativamente essas duas coisas.

E outra coisa que também precisa melhorar significativamente, mas reconheço que isso é algo que precisa melhorar significativamente no mundo inteiro, até aqui nos Estados Unidos, é que as pessoas precisam de emprego. Como se cria empregos de fato, ou como se cria a oportunidade para investimentos privados que de fato resultem no aumento significativo do número de empregos? Essas são as três áreas que sinto que, mesmo que não se veja algo transformador dentro de um período de três a cinco anos, temos de conseguir tratar de maneira fundamental no próximo período. Caso contrário, sejam quais forem os resultados no longo prazo, não resolverão o problema das pessoas de uma maneira coerente com o que eu acho que todos nós deveríamos considerar como tolerável.

Pergunta: Gostaria de continuar nessa linha. O que você diria sobre a capacidade do governo do Haiti neste momento? Mais uma vez, sei que essa pergunta é ampla, mas ele funciona? Você disse – que 26 ou 27 foram...

Cheryl Mills: Sim, 28 ou 29 ministérios.

Pergunta: Vinte oito ou vinte nove... destruídos. Ou seja, em sua opinião existe um governo funcionando neste momento?

Cheryl Mills: Sim, existe um governo que está funcionando. Porém, aí está o desafio do governo funcional — embora, em minha opinião, de qualquer governo. Um governo que enfrentou os tipos de desafios que existem no Haiti, antes de tudo, não apenas um terremoto, mas logo depois o furacão e em seguida o cólera. Eles foram assolados por muitos desafios que o governo comum nem está enfrentando, e eles começaram com uma capacidade governamental e de espaço muito mais desafiadora. Portanto, eles estão começando de um ponto em que é muito mais difícil enfrentar os tipos de desafios com os quais eles infelizmente foram contemplados.

Creio que o outro desafio é que eles também estão passando por um período de enorme transição política, e acho que isso, para o Haiti, sempre foi um certo desafio. Eles vão passar por uma mudança na Presidência. A maneira como eles chegam lá sempre foi um certo desafio no Haiti, e esse é o processo que nós na comunidade internacional queremos ter certeza de que estamos apoiando de uma maneira que garanta não só que o povo do Haiti eleja o presidente em quem votou, mas também que eleja o presidente de que necessitam no futuro. E acho que isso vai ser um desafio também.

Administrador Shah: Posso fazer um pequeno acréscimo? Só vou acrescentar que se você analisar os serviços de saúde, água, saneamento e higiene, transporte e logística, o uso da conectividade móvel para serviços de informação e plataformas bancárias e se você analisar o desempenho da agricultura, da qual cerca de 60% a 70% da população do Haiti ainda depende para alimentos e subsistência, você tem um desempenho que é essencialmente mais rápido – você tem uma recuperação mais rápida que a maioria dos padrões internacionais.

Se você analisar os escombros e as moradias, como ressaltou Cheryl, essas áreas certamente foram mais lentas, mas ainda dentro dos padrões internacionais, mas todos nós queremos fazer muito melhor, e mais que ninguém, o povo do Haiti. As capacidades econômica e governamental são obviamente as peças mais importantes e as mais duradouras, mas são também as que levarão mais tempo para se desenvolver plenamente a ponto de fornecer o tipo de oportunidade e o tipo de resiliência para a economia haitiana de que necessitarão ao longo do tempo.

Portanto, nós estamos analisando isso, e só enfatizaria que o nosso compromisso com todos esses aspectos continua tão firme quanto no momento imediatamente posterior ao terremoto.

Pergunta: Olá, Lesley Clark, do Miami Herald. Quero fazer uma pergunta sobre as eleições. Vários haitiano-americanos disseram ontem ao vice-presidente que não queriam que os resultados das eleições de novembro fossem considerados.

O que vocês farão se os resultados da OEA mostrarem que os resultados preliminares devem ser honrados? E poderia falar um pouco sobre suas preocupações caso os problemas eleitorais continuem, apagando de certa forma parte do frágil progresso feito?

Cheryl Mills: Acredito que você esteja falando sobre a missão da OEA neste momento, que está fazendo uma análise dos...

Pergunta: Que poderiam sair...

Cheryl Mills: ...resultados eleitorais, que são...

Pergunta: ...no dia do aniversário.

Cheryl Mills: Que ao que parece devem ser divulgados em breve. Certamente apoiamos a missão da OEA com vistas a garantir que fosse realizada uma análise abrangente e que essa análise correspondesse aos resultados de uma maneira que fosse realmente coerente com o voto do povo do Haiti. Estamos muito interessados em saber qual foi o resultado. Obviamente expressamos nossas reservas com relação aos resultados anunciados em uma declaração divulgada logo após as eleições, porque não eram compatíveis, pelo menos, com as análises e informações preliminares, contagens rápidas e outras coisas que nos foram confidenciadas.

É claro que não vou falar sobre o que hipoteticamente aconteceria se a missão da OEA decidir de uma maneira ou de outra. Estou certa de que estamos tão comprometidos quanto no dia seguinte ao da eleição para garantir que a voz e o voto do povo do Haiti sejam respeitados e fazer a parceria que for adequada para garantir que isso ocorra.

Pergunta: Você está descartando – ou, imagino que a essa altura, você não falará sobre hipóteses – mas o cancelamento das eleições e uma nova eleição está fora da mesa de negociações?

Cheryl Mills: Quero dizer, é óbvio que se a missão da OEA concluir que o cancelamento ou uma nova eleição ou qualquer dessas coisas é a medida necessária a ser considerada, nós, é claro, estaremos interessados em entender como eles chegaram a essa conclusão, vamos querer analisar se essa conclusão deve ou não ser apoiada por nós e assumiremos o engajamento que for mais adequado para nós, seja em apoio a novas eleições, seja ou não em apoio aos resultados das eleições, sejam eles quais forem. Estamos preparados para considerar todas essas coisas, mas não tenho condições de dizer o que faremos, obviamente, porque até termos conhecimento da conclusão e de como eles chegaram a ela, não temos como (inaudível).

Pergunta: E posso fazer mais uma pergunta, sobre se vocês apoiariam ou não a prorrogação do mandato do presidente se nenhum novo presidente assumir até fevereiro?

Cheryl Mills: Bem, penso que tudo isso são coisas que realmente vão se desenvolver na próxima semana ou algo por aí, em termos de assumir uma posição. Se for o caso da missão da OEA tomar uma posição, divulgar seus resultados, isso realmente ajudará a avaliar se poderá ou não haver uma transição do governo e em que prazo. Não creio que eu esteja em posição de poder antecipar alguma coisa até que veja o que eles realmente recomendam.

Pergunta: Só mais uma preocupação, que é uma preocupação da maioria das autoridades fora de Porto Príncipe que dizem que os EUA não estão saindo da principal... da capital, porque se você tem um acampamento, as pessoas locais se reúnem em volta e começa... E não há... os outros portos, as outras cidades, mesmo quando eu viajei de carro da República Dominicana por todo o (inaudível) não havia quase nada (inaudível) a não ser nessa (inaudível). Vocês têm um programa para ir além da capital?

Cheryl Mills: Bem, obrigada por perguntar. As pessoas vão achar que eu lhe pedi para perguntar isso, e eu não pedi, mas estou muito grata por você ter perguntado. Estamos muito imbuídos de todo o conceito da descentralização, que o governo tornou um dos pilares do seu plano de ação. É por essa razão que temos o Norte como uma das áreas de desenvolvimento nas quais estamos focados para fazer investimentos significativos. Ao examinarmos nossa estratégia no que diz respeito às áreas nas quais vamos fazer investimentos, parte tanto do que apresentamos ao Congresso em nosso plano de gastos quanto dos pontos que descrevemos como nossos objetivos é trabalhar por meio de um processo que não apenas avalie como podemos fornecer moradias no Norte – que sejam um fator atraente – o que podemos fazer para apoiar o potencial parque industrial estrangeiro.

Nós obviamente assinamos dois Memorandos de Entendimento e temos trabalhado com investidores estrangeiros sobre como fazer para atraí-los para um parque industrial. E estaríamos preparados também para fornecer o tipo de eletrificação necessária, não apenas para esse tipo de atividade, mas também com o objetivo de criar maior acesso. E essa também é uma das áreas que descrevemos em nosso plano de gastos apresentado ao Congresso.

Portanto, estamos realmente focados no Norte e, além disso, estamos também interessados em ajudar a apoiar a agricultura no Norte, em particular. Lá há culturas de exportação, como manga e cacau, que creio têm um grande impacto na economia haitiana. Portanto, estamos focados. Realmente acho que demora um pouco para fazer todas essas coisas e acho que essa é a parte difícil. Quando você está sentado e planejando, parece que nada está andando, mas eu também adoraria que você fizesse essa pergunta de novo na terça-feira. (Risos.)

Secretário P.J. Crowley: Mais uma pergunta.

Pergunta: Tenho uma pergunta que não é sobre o Haiti. Posso...

Secretário P.J. Crowley: (Inaudível) – Eu sou a pessoa certa.

Pergunta: Está certo. É sobre a USAID.

Secretário P.J. Crowley: A última pergunta.

Pergunta: Eu farei a pergunta. Tem havido algumas críticas à CIRH. Existe algum plano em andamento ou alguma coisa – vocês estão pensando em formas de melhorar ou...

Cheryl Mills: Bem, eu penso duas coisas. E eu realmente aconselharia as pessoas a dar uma analisada no tempo que levou para que Aceh montasse sua comissão similar, que foi em um intervalo de tempo muito maior e não tinha nem aprovado seus primeiros projetos no primeiro ano, e a CIRH obviamente aprovou. Creio que a CIRH proporcionou de fato aos doadores alguma coisa que é menos tangível – mas que com certeza tem um impacto incrível. Creio que todos nós vimos a CIRH como uma oportunidade para garantir que os planos do governo do Haiti recebessem apoio da maneira como eles gostariam, coerente com sua própria visão e que também criassem uma oportunidade para o tipo de coordenação e colaboração que deve ocorrer.

Ao proporcionar isso, o que a comissão realmente fez também foi propiciar uma enorme transparência entre nós como doadores, o que nos permitiu todo um novo nível de colaboração, porque agora você sabe o que o Canadá está fazendo ou o que a Venezuela está fazendo ou o que os Estados Unidos estão fazendo. E isso resultou em parcerias entre parceiros que nunca haviam sido parceiros antes. Certamente nossa parceria com os franceses na construção – reconstrução – do hospital geral é um exemplo inusitado. Poderia citar vários projetos diferentes e também investimentos que serão feitos por causa da CIRH, porque a CIRH criou uma plataforma única.

A comissão também criou uma plataforma única para que o setor privado participasse efetivamente das várias atividades que, historicamente, não tínhamos uma maneira organizada de participação. Portanto, do meu ponto de vista, acho que há preocupações legítimas sobre a agilidade com que a CIRH conseguiu se movimentar e sobre a agilidade que teve para se equipar. Mas as realidades do que de fato foi realizado por causa da CIRH e o que ela fez para facilitar o trabalho entre as comunidades internacionais, em termos de organização, investimento e eficácia, creio que é a parte invisível, mas muito valiosa desse órgão.

Para mim, a resposta mais óbvia – exemplo disso foi quando eles cancelaram uma das reuniões e resolveram fazê-la como teleconferência, e todo mundo – desde os representantes da Noruega e da França até os representantes do Japão e de países mais próximos – consideraram isso uma péssima opção: Como poderia não haver uma reunião entre todos nós para tratar dos desafios que estavam lá? E, para mim, isso mostrou um nível de colaboração entre os doadores diferente do que normalmente existe, porque na maioria das vezes cada um estaria fazendo suas próprias coisas.

Administrador Shah: Eu só acrescentaria rapidamente que isso é muito útil para o planejamento e para levar o trabalho adiante de forma coordenada. E, embora iniciais, há atividades significativas que estão em andamento em áreas como agricultura, moradia e abrigos que estão criando a base para a transição da ajuda emergencial e a recuperação imediatas para a reconstrução de longo prazo. E alguns dos primeiros resultados dessas atividades – embora elas não estejam amplamente disseminadas e não sejam os tipos de coisas que resolverão esses problemas da noite para o dia – mas dobrar a produtividade do milho e do sorgo em determinadas partes do Haiti preparará o caminho para um conjunto de investimentos realmente entusiasmantes e importantes que, espero, multiplicará esse progresso de maneira muito mais ampla por toda a zona rural do país em 2011.

Conseguir fornecer 11 mil abrigos transitórios e avaliar 400 mil unidades danificadas para identificar quais poderiam ser reconstruídas e montar uma indústria de reconstrução haitiana de pequena escala que pode usar concreto armado e cimento de melhor qualidade para reconstruir essas unidades dentro do padrão anterior ao terremoto, preparará o terreno para uma estratégia de abrigos muito mais rápida e eficiente nos próximos anos. Portanto, muito do que está acontecendo é também atividade real que prepara o terreno para o tipo de otimismo demonstrado pela Cheryl.

Secretário P.J. Crowley: Lalit diz que ele está tentando incluir uma rápida...

Administrador Shah: Sim, pergunta sobre a USAID. Pode fazer.

Pergunta: É sobre o Sul da Ásia. Você fez parte da delegação presidencial que foi à Índia em novembro e lá você falou sobre a segunda revolução verde na Índia. Você pode nos dar uma ideia das medidas que está adotando para as áreas de foco deste ano com vistas a dar andamento às declarações que fez durante essa viagem?

Administrador Shah: Certamente. Esse foi um programa muito empolgante que conseguimos lançar como parte do nosso esforço Alimentar o Futuro para tratar da fome e da pobreza no mundo todo. E um dos atributos realmente peculiares desse programa foi o reconhecimento de que a Índia e os parceiros indianos, inovadores em tecnologia, extensão agrícola e Ciências Agrícolas, tinham muito a oferecer para outras regiões do mundo, como a África Subsaariana e outras partes do Sul da Ásia. Portanto, como prosseguimento desse anúncio e desse programa, estamos atualmente trabalhando com o governo da Índia para realmente levar os benefícios desses programas a outros lugares do mundo.

E o que foi realmente peculiar nesse esforço é que tanto o presidente Obama quanto o primeiro-ministro Singh fizeram um compromisso de enfocar a melhora do desempenho agrícola e consequentemente a redução da pobreza e da fome, mas realmente encontrando essas áreas únicas, seja usando sistemas de extensão de telefonia móvel ou pesquisa de legumes, nas quais esses tipos de esforços poderiam fazer uma grande diferença na África Subsaariana. Esse tem sido o foco do nosso trabalho desde então. Mas obrigado por perguntar.

Pergunta: E a segunda pergunta, no Afeganistão e a retirada das tropas...

Secretário P.J. Crowley: Nós precisamos tirá-lo daqui. Ele tem uma reunião daqui a pouco. Rápido.

Pergunta: Está certo. Com o início da retirada das tropas em julho, a USAID está mudando a estratégia na implementação dos seus programas no Afeganistão?

Administrador Shah: De maneira geral ou em alguma área em particular?

Pergunta: De maneira geral. Essa transição começa em julho lá. Vocês estão mudando...

Administrador Shah: Ah! Na verdade, durante os dois últimos anos, passamos por uma transformação significativa no programa de assistência civil no Afeganistão para torná-lo altamente coordenado com a campanha e os esforços militares. Assim, à medida que a transição ocorre, com o passar do tempo, nosso compromisso com o empreendimento civil para apoiar agricultores e fornecer serviços de saúde e educação, bem como ajudar o governo a realmente consolidar sua capacidade de prestar serviços, continuará de uma maneira muito firme. Então, muito obrigado.