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Biotecnologia e agricultura orgânica: coexistência pacífica

Washington, 1º de julho de 2011 - Kathryn McConnell - da equipe de redação
Raoul Adamchak e Pamela Ronald na horta orgânica que ele administra

Raoul Adamchak e Pamela Ronald na horta orgânica que ele administra

A biotecnologia agrícola e a agricultura orgânica podem coexistir — até mesmo florescer na mesma cadeia de suprimento alimentar — apesar do fato de alguns defensores da agricultura orgânica estarem em desacordo com os cientistas que modificam sementes geneticamente.

Assim dizem Pamela Ronald e Raoul Adamchak, coautores de Tomorrow’s Table: Organic Farming, Genetics and the Future of Food [A Mesa de Amanhã: Agricultura Orgânica, Genética e o Futuro dos Alimentos], um novo livro que argumenta que a agricultura orgânica e a biotecnologia agrícola combinadas podem suprir as futuras necessidades alimentares do mundo. Pamela Ronald, patologista de plantas da Universidade da Califórnia–Davis, e Raoul Adamchak, agricultor orgânico há 30 anos, devem entender algo sobre boas combinações — eles estão casados há 15 anos.

“Queremos que os leitores possam distinguir entre fato e ficção”, disse Pamela em 21 de junho em Washington, na Associação Americana para o Avanço da Ciência. “Debates polarizados sobre tecnologia de sementes versus práticas agrícolas” tiram a atenção do desafio de criar “um sistema agrícola saudável e produtivo”.

Com a expectativa de crescimento da população mundial para 9,2 bilhões de pessoas até 2050, os agricultores precisam “dobrar ou triplicar a produção de alimentos para atender à demanda”, disse Pamela. “A agricultura precisa da nossa ajuda coletiva e de todas as ferramentas adequadas se quisermos alimentar a população crescente de maneira ecológica.”

O DESAFIO

Pamela Ronald descreveu alguns dos desafios para alimentar uma população cada vez maior. A quantidade de terras agricultáveis é limitada, disse ela, e perde cada vez mais terreno para a urbanização e a erosão. “Como resultado da erosão nos últimos 40 anos, 30% das terras agricultáveis do mundo tornaram-se improdutivas”, disse ela. Para agravar o problema, a maior parte do solo erodido contém pesticidas e fertilizantes e acaba poluindo lagos e rios. As águas poluídas matam os peixes.

Segundo Pamela, os sistemas de água doce também estão exauridos. Muitos rios quase secaram. Cerca de metade das terras úmidas do mundo desapareceram. Os principais aquíferos subterrâneos estão sendo minados pelo uso urbano e industrial. Isso significa que mais alimentos precisam ser produzidos na quantidade de terra agora disponível e com menos água.

Outra parte do desafio vem das mudanças climáticas. À medida que as geleiras degelam, as terras baixas de cultivo terão mais inundações que afetarão a alimentação e os meios de subsistência das pessoas que vivem nessas áreas. As mudanças climáticas também podem provocar aumento da temperatura e secas severas em outras áreas, segundo Pamela. Nos últimos anos, por exemplo, a Austrália sofreu duas secas recordes que prejudicaram a produção de trigo. A Rússia suspendeu a exportação de trigo por quase um ano devido à seca em 2010.

A engenharia genética, também conhecida como modificação genética, pode trabalhar junto com a agricultura orgânica, disse Pamela, para enfrentar os desafios da urbanização, da erosão e das mudanças climáticas.

A FORMA GENETICAMENTE MODIFICADA

Sementes geneticamente modificadas possuem características que fazem as plantas suportarem o estresse climático e do solo, resistirem a doenças e pragas e fornecerem micronutrientes essenciais. Segundo o Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (Isaaa), grupo internacional de pesquisa, mais de 15 milhões de agricultores em 29 países produziram culturas biotecnológicas em 2010. Esses países representam mais da metade da população mundial.

Especialistas de academias de ciências de Índia, China, México, Brasil, França, Reino Unido e Estados Unidos concluíram que as culturas geneticamente modificadas já encontradas no mercado são seguras para a alimentação, disse Pamela.

A FORMA ORGÂNICA

A agricultura orgânica é boa para o meio ambiente porque usa a rotação de culturas para reduzir a proliferação de pragas que atacam uma única cultura. Os agricultores orgânicos usam culturas de cobertura de leguminosas, como lentilha e alfafa, para aumentar a fertilidade do solo e matéria orgânica para fertilizar. Contudo, para algumas culturas básicas, como o arroz, a produção é menor em fazendas orgânicas. Além disso, os preços mais altos da produção orgânica a torna inacessível para alguns consumidores.

RESULTADO DESEJADO

No livro, os autores dizem que tanto a agricultura orgânica quanto a engenharia genética devem ser usadas se o resultado desejado for alimentos em abundância, seguros, nutritivos e mais acessíveis. O uso dos dois métodos permite uma redução desejada de insumos prejudiciais, como pesticidas e fertilizantes sintéticos.

Pamela Ronald e Raoul Adamchak querem práticas agrícolas seguras para os trabalhadores agrícolas e economias rurais saudáveis. Eles querem práticas que mantenham os solos férteis, aumentem a diversidade genética das culturas e protejam as espécies nativas. Para fazer tudo isso, “precisamos de todos à mesa”, disse Pamela.